CaracasOs simpatizantes do coronel venezuelano Pedro Soto se desmobilizaram na madrugada de ontem depois de manifestação realizada diante da residência presidencial, na qual o militar rebelde liderou a multidão que o impediu de ser preso por ter exigido a renúncia do presidente venezuelano Hugo Chávez. Enquanto isso, Chávez mantinha, no Palácio de Miraflores, sede do governo, uma reunião de trabalho ordinária, já que ‘‘a situação no país é de normalidade’’, segundo afirmou o vice-presidente Diosdado Cabello ante milhares de chavistas.
Soto contou com o apoio de outro militar da ativa, o capitão da Guarda Nacional, Carlos Rivero Flores. ‘‘Não vou me entregar (às autoridades castrenses) porque não cometi delito algum’’, afirmou Soto.
O ministro do Interior, Ramón Rodríguez Chacín, que garantiu o direito de protesto pacífico contra o governo, classificou Soto de ‘‘traidor’’ e ‘‘líder oportunista’’, e descartou que ele venha a dar um golpe de Estado.
A rebelião de Soto começou na quinta-feira pela manhã, quando, em um comício em um hotel da capital, exortou Chávez a deixar o governo. ‘‘O presidente tem que ir embora, que renuncie e, antes de renunciar, que convoque eleições para deixar o país em uma democracia, nas mãos de um civil’’, afirmou.
Chávez se viu nestes últimos dias submetido a fortes pressões internas e externas. Na terça-feira passada, o secretário de Estado americano Colin Powell colocou em dúvida os compromissos do presidente venezuelano com a democracia.
No plano interno, a oposição levantou o tom de voz nas últimas semanas, com marchas e panelaços que demonstraram a polarização da sociedade venezuelana.

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