Vender Telebrás é ato insano, diz Lula
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terça-feira, 28 de julho de 1998
Agência Estado, Agência Folha e Redação 
O candidato do PT à presidência da república, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem em Belo Horizonte que seu partido vai usar todos os mecanismos ao seu alcance para evitar que a União privatize o Sistema Telebrás. Achamos que tem cheiro de maracutaia nessa venda porque ela está sendo feita a toque de caixa, resumiu. Na sua opinião, a privatização da Telebrás é um ato insano, que fere a soberania nacional.
O petista disse que o governo está querendo enganar a sociedade ao sustentar que o ágio no preço de venda do Sistema Telebrás, cujo leilão está marcado para hoje, pode chegar a 100%. O governo quer enganar quem com essa história de ágio?, perguntou Lula. Foi ele mesmo quem reduziu o preço mínimo fixado para a privativação da Telebrás, argumentou, numa referência à avaliação da estatal que vai a leilão por R$ 13,4 bilhões.
Para Lula, o ministro das Comunicações Luis Carlos Mendonça de Barros não merece respeito. O petista fez essa afirmação em resposta às declarações de Mendonça de Barros, que responsabilizou grupos contrários à venda da Telebrás por danos causados a duas estações da Embratel em Santa Catarina, na manhã de anteontem. Não dou crédito para esse ministro falar sobre qualquer pessoa nesse país, desdenhou.
Nunca permitiram a verificação do real preço da Telebrás e nunca aceitaram discutir a proposta de que a avaliação fosse feita por uma comissão de arbitragem, disse Lula. Segundo ele, o governo evitou discutir o preço mínimo da Telebrás e agora vem usando a expectativa de ágio para ganhar a simpatia da opinião pública.
Na avaliação do candidato, o governo usou essa estratégica para ocupar espaços na mídia e vender a imagem de que a Telebrás será privatizada por um preço bastante acima do seu valor real.
Em sua quarta viagem a Brasília este mês, Lula voltou a criticar o ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros (Comunicações), que acusou o governador de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB), de tentar chantagear o governo. Esse ministro não vale uma célula do governador Arraes e faz parte de um governo que quer privatizar até o zoológico de Brasília, disse Lula.
Ele se referiu à declaração feita por Barros, na sexta-feira passada, de que Arraes deveria chantagear a mãe dele por ter rejeitado acordo sobre a cobrança de imposto estadual, sem efeito retroativo, na habilitação de telefones.
Assessores de Lula disseram ontem que viram como eleitoreira a redução dos preços dos combustíveis anunciada pelo governo. Na opinião do candidato, a redução dos preços será apenas simbólica e deveria ter sido adotada há mais tempo em razão das sucessivas quedas do preço do petróleo no mercado internacional. Em 1994, o PT obteve da Federação Única dos Petroleiros estudos que apontavam a viabilidade da redução dos preços dos combustíveis.
O candidato do PT está em Belo Horizonte para debater com especialistas propostas para o setor de saúde. Ontem à tarde ele visitou o Hospital Regional de Betin, a 40 km de Belo Horizonte. O hospital tem dois anos de funcionamento e é considerado modelo para a região.


