Vender a Copel é 'insensatez', diz Richa
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de dezembro de 1998
Leandro Donatti 
O ex-governador José Richa (sem partido) não concorda com o processo de privatização da Copel, colocado em curso pelo governo do Paraná. Carro-chefe durante os quatro anos de sua administração, a Copel vai deixar de ser uma companhia que leva o desenvolvimento para todos os pontos do Estado, na opinião do ex-governador. Sou contra a privatização. A falta de recursos está sendo um instrumento de uma insensatez. O governo estadual pode vender o resto, o que quiser, mas não a Copel, defendeu Richa em entrevista concedida à Folha, durante a semana.
Na visão do ex-governador, a Copel é um instrumento que deve continuar nas mãos do Estado. É ilusão achar que a iniciativa privada vai ter interesse em estudar e buscar fontes alternativas. Richa chama a atenção ainda para as consequências e limitações dos recursos hídricos. São recursos que causam problemas. No meu governo, desenvolvemos estudos que buscaram fontes alternativas de energia. A Copel não pode ser vista apenas como uma geradora de recursos energéticos, mas como um instrumento de incentivo para o setor como um todo, considerou.
Inconformado com os rumos que levam a companhia à privatização - na última terça-feira o governador Jaime Lerner (PFL) sancionou a lei que autoriza o governo a se desfazer de suas ações - José Richa lembra de como a Copel foi tratada durante seu governo. Investimos R$ 300 milhões, R$ 104 milhões de um empréstimo feito ao Banco Mundial e R$ 200 milhões bancados pelo Paraná. Levamos energia para 127 mil propriedades rurais, o que representou o maior projeto da área desenvolvido na América Latina, o segundo maior do mundo, rememorou o ex-governador.
Segundo Richa, a fórmula para provar a importância estratégica da Copel é muito simples. Não só no meu governo mas em qualquer governo, a eletrificação rural aumenta a renda das pequenas e das médias famílias; fixa o homem no campo; possibilita a implantação de um motor, para se produzir vassouras; traz o eletrodoméstico para as casas e melhora a qualidade de vida, exemplificou. A Copel, desde que foi criada, numa visão excepcional do professor Parigot de Souza, foi sempre uma empresa de excelência na área de eletricidade.
Os argumentos apontados pelo governo - de que a entrega da companhia à iniciativa privada faz parte de uma política nacional desestatizante - não convencem o ex-governador. A Copel sempre superou dificuldades e tirou os problemas de letra. Não temos a maior, mas a mais eficiente companhia elétrica do País, mais que as de São Paulo (Cesp) e de Minas Gerais (Cemig). Estamos em terceiro lugar no ranking, contabilizou. Richa entende que ainda que a entrega da Copel compromete a infra-estrutura do Paraná. O que deveria ser encarado como um setor vital.
Para o ex-governador, a entrega da Sanepar à iniciativa privada é um sacrifício tolerável. O governo do Paraná já anunciou que até 2001 pretende privatizar a companhia e que no momento, a empresa está sendo preparada legalmente e estruturalmente para o processo que se esboça. O saneamento é também um setor muito importante para um governo estadual, mas incomparável com a Copel. Em último caso, a venda da Sanepar até poderia ser admitida. Por mim, poderia se desfazer do resto. Exceto da Copel, que não deve ser mexida, avaliou.


