O ex-governador José Richa (sem partido) não concorda com o processo de privatização da Copel, colocado em curso pelo governo do Paraná. Carro-chefe durante os quatro anos de sua administração, a Copel vai deixar de ser uma companhia que leva o desenvolvimento para todos os pontos do Estado, na opinião do ex-governador. ‘‘Sou contra a privatização. A falta de recursos está sendo um instrumento de uma insensatez. O governo estadual pode vender o resto, o que quiser, mas não a Copel’’, defendeu Richa em entrevista concedida à Folha, durante a semana.
Na visão do ex-governador, a Copel ‘‘é um instrumento que deve continuar nas mãos do Estado’’. ‘‘É ilusão achar que a iniciativa privada vai ter interesse em estudar e buscar fontes alternativas.’ Richa chama a atenção ainda para as consequências e limitações dos recursos hídricos. ‘‘São recursos que causam problemas. No meu governo, desenvolvemos estudos que buscaram fontes alternativas de energia. A Copel não pode ser vista apenas como uma geradora de recursos energéticos, mas como um instrumento de incentivo para o setor como um todo’’, considerou.
Inconformado com os rumos que levam a companhia à privatização - na última terça-feira o governador Jaime Lerner (PFL) sancionou a lei que autoriza o governo a se desfazer de suas ações - José Richa lembra de como a Copel foi tratada durante seu governo. ‘‘Investimos R$ 300 milhões, R$ 104 milhões de um empréstimo feito ao Banco Mundial e R$ 200 milhões bancados pelo Paraná. Levamos energia para 127 mil propriedades rurais, o que representou o maior projeto da área desenvolvido na América Latina, o segundo maior do mundo’’, rememorou o ex-governador.
Segundo Richa, a fórmula para provar a importância estratégica da Copel é muito simples. ‘‘Não só no meu governo mas em qualquer governo, a eletrificação rural aumenta a renda das pequenas e das médias famílias; fixa o homem no campo; possibilita a implantação de um motor, para se produzir vassouras; traz o eletrodoméstico para as casas e melhora a qualidade de vida’’, exemplificou. ‘‘A Copel, desde que foi criada, numa visão excepcional do professor Parigot de Souza, foi sempre uma empresa de excelência na área de eletricidade.’
Os argumentos apontados pelo governo - de que a entrega da companhia à iniciativa privada faz parte de uma política nacional desestatizante - não convencem o ex-governador. ‘‘A Copel sempre superou dificuldades e tirou os problemas de letra. Não temos a maior, mas a mais eficiente companhia elétrica do País, mais que as de São Paulo (Cesp) e de Minas Gerais (Cemig). Estamos em terceiro lugar no ranking’, contabilizou. Richa entende que ainda que a entrega da Copel compromete a infra-estrutura do Paraná. ‘‘O que deveria ser encarado como um setor vital.’
Para o ex-governador, a entrega da Sanepar à iniciativa privada é um ‘‘sacrifício tolerável’’. O governo do Paraná já anunciou que até 2001 pretende privatizar a companhia e que no momento, a empresa está sendo preparada legalmente e estruturalmente para o processo que se esboça. ‘‘O saneamento é também um setor muito importante para um governo estadual, mas incomparável com a Copel. Em último caso, a venda da Sanepar até poderia ser admitida. Por mim, poderia se desfazer do resto. Exceto da Copel, que não deve ser mexida’’, avaliou.

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