Venda do Banestado chega ao Senado
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de novembro de 1998
Leandro Donatti 
Com quatro meses de atraso, a proposta de privatização do Banestado foi encaminhada ontem, pelo Banco Central, à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O processo de privatização foi aprovado em junho pela Assembléia Legislativa e de lá para cá ficou parado no BC, pendente por falta de documentação. O presidente da CAE, senador Pedro Piva (PSDB-SP), já tem em mãos a proposta de privatização e deve designar um relator para o processo na semana que vem.
O Paraná tem pressa na aprovação do socorro financeiro. A resolução baixada pelo governo federal, para ajudar no saneamento dos bancos estaduais, fixou em 18 de dezembro o prazo-limite para a análise dos processos. O Paraná e o Mato Grosso do Sul são os únicos Estados brasileiros que ainda não formalizaram um rumo para seus bancos. O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, disse ontem que o Banestado continua se socorrendo de operações interbancárias para conter o rombo, que é de R$ 4,1 bilhões.
Pela proposta, o governo federal se compromete a injetar R$ 3,75 bilhões. O restante, cerca de R$ 350 milhões, deverá ser suportado pelo caixa estadual. Além de garantida em lei estadual, a privatização do Banestado está respaldada pelo acordo firmado entre o governador Jaime Lerner (PFL) e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, no início de abril deste ano. Gionédis informou que um parecer favorável ao processo de privatização, assinado por Malan, foi anexado à proposta que está no Senado.
Gionédis aguarda a entrada em pauta da proposta para ir à Brasília. Como secretário da Fazenda, ele é obrigado por lei a acompanhar a análise. O governo trabalha com uma aprovação em 15 dias. Esperamos ter o mesmo tratamento que os outros, disse. Aprovada a lei, a União libera o socorro. A ajuda financeira é parcelada e não será em dinheiro, mas em títulos públicos. Os primeiros R$ 100 milhões em papéis vão para o Banco do Emprego, a agência de fomento do governo do Estado.
O senador Roberto Requião (PMDB) deve ser o único a contestar o teor da proposta. A lua-de-mel vivida entre PFL e PSDB, nas figuras de Lerner e do senador eleito Álvaro Dias respectivamente, deve amolecer o temperamento do senador Osmar Dias (PSDB). Ao contrário da briga pela liberação de empréstimos externos, travada no ano passado, desta vez Requião está sozinho. Serei contra, apesar de saber que serei derrotado. O PFL em peso vai votar a favor, com o apoio do Osmar (Dias, PSDB), disse Requião.
O senador vai insistir no pedido de auditoria no Banestado. A oposição na Assembléia já encaminhou um pedido para a CAE. A oposição acusa o governo de superestimar o passivo do Banco para destinar parte do dinheiro para outras áreas mais fragilizadas financeiramente. O governo Lerner nega qualquer possibilidade de maquiagem. E alega que o crescimento da inadimplência, a herança de uma dívida de R$ 285 milhões ao Funbep, e a defasagem de valores agravaram a saúde do Banco.


