A Câmara de Vereadores de Rolândia analisa na sessão da próxima segunda-feira pedido de instalação de uma Comissão Especial de Investigação (CEI) para apurar denúncia contra a secretária municipal de Cultura, Sílvia Motta. De acordo com o líder do PSDB no Legislativo local, José Rubens Massuci, a Casa recebeu duas denúncias contra Sílvia em relação a um suposto desvio de verbas. Em entrevista ontem à noite à Folha, a secretária anunciou a entrega do pedido de exoneração ao prefeito Eurides Moura (PMDB).
De acordo com o parlamentar, uma das denúncias que teriam chegado a ele diz respeito à venda de livros usados, doados pela população à Biblioteca Municipal Rui Barbosa, mas supostamente vendidos por Sílvia a uma empresa de reciclagem de Rolândia. Em relação a esse fato, o vereador afirma ter comprovações como as notas fiscais da venda ao estabelecimento e relatórios de entrega assinados pelo motorista da Secretaria de Cultura. Outra acusação se refere à cobrança de taxas pela utilização do Centro Cultural Nanuk, as quais estariam sendo feitas pela secretária a artistas e outros profissionais responsáveis por eventos cobrados no local.
''Se a Secretaria quisesse se desfazer de algo que chega até ela, ou mesmo comprar livro novos, como alegou a secretária, todo o processo deveria passar pelo departamento de compra e venda da Prefeitura. A administração municipal só pode ter um caixa'', criticou Massuci .
Sílvia alegou que todos os livros doados pela população passam por uma triagem comandada por funcionários subordinados à Secretaria. Segundo ela, parte vai para a Biblioteca do município, parte segue para um sebo literário mantido pela Secretaria, de modo que apenas aqueles sem condições de manuseio, em função do mau estado, são vendidos à reciclagem. ''Isso ocorre em várias bibliotecas da região, não somos apenas nós quem fazemos isso. Aliás, em Rolândia há muitos anos a prática existe, não fui eu quem a implantei. De qualquer forma, a verba arrecadada pelo sebo ou pela reciclagem vai toda para a aquisição de livros novos'', garantiu.
A secretária atribuiu a ''rixas políticas do passado'' entre ela e o vereador tucano as declarações feitas agora pelo parlamentar. Classificou a ameaça de uma possível CEI e as denúncias como ''baixaria tremenda'' e negou que tenha mantido um caixa paralelo ao do Executivo. Mas admitiu que o recurso arrecadado era gerenciado, segundo ela, pelos próprios funcionários da Biblioteca. ''Nunca disseram que isso (não remeter a verba ao caixa da Prefeitura) é um erro. Os mais de R$ 471 de papel vendido e a arrecadação de R$ 904 do sebo e das multas da Biblioteca foram para a compra de 224 livros novos. Isso está documentado.''
Sobre a coordenação do volume arrecadado, justificou: ''Tenho tanta confiança nos funcionários que eles mesmos fazem isso''. Sílvia confirmou a cobrança de ''uma pequena taxa'' em alguns eventos do Centro Cultural, mas garantiu que esse dinheiro também foi para a compra de livros. ''Mas diante disso e da falta de apoio, estou pedindo minha exoneração do cargo'', concluiu.
O prefeito de Rolândia salientou que a ex-secretária é ''pessoa de bem; se pecou, foi por alguma omissão''. Moura declarou que já abriu processo administrativo para a a apuração, conforme orientação emitida ontem pela Procuradoria Jurídica do Município.

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