Brasília - O diretor de Gestão de Risco do Banco do Brasil, Expedito Afonso Veloso, envolvido na montagem do dossiê contra o candidato ao governo de São Paulo, José Serra, pediu afastamento do cargo. A informação foi divulgada na tarde de ontem pela assessoria de imprensa do Banco do Brasil. O pedido já foi aceito pelo Conselho de Administração da instituição, que determinou a imediata apuração dos fatos.
Na carta enviada pelo executivo à direção do banco, Veloso afirma que a instituição não tem nenhuma relação com ''os fatos divulgados na imprensa''. Diz ainda que está de licença anual remunerada do banco desde agosto passado e que, nesse período, atendeu a questões estritamente particulares. Segundo ele, seus superiores não foram informados sobre a natureza dessa atividades, que o executivo não detalha na carta.
Em sua edição de ontem, o jornal ''O Estado de S. Paulo'' divulgou que Veloso participou ativamente da operação de montagem e divulgação do dossiê que tenta vincular o ex-ministro da Saúde à máfia dos sanguessugas, responsável pelo desvio de dinheiro público para na compra de ambulâncias a preços superfaturados.
Coube ao Blog do Noblat, hospedado no Portal do Estadão, identificar os passos de Expedito. O diretor do BB entrou em férias no último dia 29, segundo descobriu o repórter Felipe Recondo. Desde então, Expedito trabalha na campanha de Lula, na qual não tem uma função específica. Ora recolhe informações econômicas capazes de reforçar o discurso do PT ou de Lula, ora faz trabalhos típicos de araponga.
Na semana passada, Expedito foi despachado para Cuiabá com a missão de convencer os empresários Darci e Luiz Antonio Vedoin, donos da Planam e cérebros do esquema sanguessuga, a conceder uma entrevista à revista ''IstoÉ'' falando contra Serra e do seu sucessor no Ministério da Saúde, Barjas Negri. A entrevista durou pouco mais de uma hora, segundo contou o próprio Expedito a um amigo.
A participação do diretor do Banco do Brasil não se limitou a isso. A maioria dos documentos que os Vedoin entregaram à Justiça como parte do dossiê produzido com o objetivo de implodir a candidatura de Serra ao governo de São Paulo foi reunida pelo próprio Expedito, que se encarregou de repassá-las aos empresários. ''Fui eu que investiguei tudo e montei o dossiê'', revelou o diretor ao amigo.
A revelação de Expedito foi feita no início da noite da última quinta-feira. Àquela hora, Gedimar Passos, ex-agente da Polícia Federal contratado para trabalhar na campanha de Lula, e o empresário Valdebran Padilha, filiado ao PT de Mato Grosso e amigo dos Vedoin, estavam reunidos numa das unidades do Hotel Íbis em São Paulo. Eles já tinham se encontrado ao menos outras duas vezes.
Valdebran voara a São Paulo a pedido dos Vedoin para receber o R$ 1,75 milhão cobrados por eles em troca da entrevista e de documentos fornecidos para a montagem do dossiê. Gedimar estava ali para conferir se o dossiê de fato valia o preço cobrado e informar a seus superiores em Brasília - entre eles, Jorge Lorenzetti, sindicalista que desempenhava o papel de churrasqueiro nas festas promovidas por Lula e sua família.

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