A suspeita de venda de 7% de ações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) vai ser questionada na próxima terça-feira na Câmara de Vereadores de Londrina. A dúvida sobre a venda, que teria sido efetuada a mais de uma pessoa, partiu do vereador Carlos Santa Rosa (PFL), que protocolou no início da semana passada um pedido de informação junto ao prefeito Jorge Scaff (PSB). Se o pedido for aprovado pelos vereadores, o prefeito tem 15 dias para responder à interpelação, sob pena de incorrer em improbidade administrativa.
Santa Rosa afirmou que soube da suspeita de venda através de uma fonte que ele não quis identificar. Os compradores seriam ex-funcionários que ocuparam cargos de alto escalão na administração pública municipal. O pefelista acredita que o pedido vai ser aprovado por unanimidade pelos demais vereadores. ‘‘Se a venda for confirmada, queremos saber como isso foi feito, já que a CMTU é patrimônio público’’, disse ontem à Folha.
O ex-presidente da CMTU Celso Costa explicou que existe cerca de 1% das ações do órgão em mãos de 53 acionistas. Os demais 99% pertencem ao município. Segundo Costa, a CMTU foi constituída em 93 (com o nome Companhia Municipal e Urbanização de Londrina), como sociedade anônima e, por força de lei municipal, teve que contar com acionistas, que investiram quantias simbólicas. ‘‘Cada um pagou de R$ 1,00 a R$ 10,00’’, informou. Segundo ele, a própria equipe administrativa da época, como o prefeito Luiz Eduardo Cheida (PMDB) e vários secretários, pagaram pelas ações, que são ‘‘inexpressivas’’.
Para Costa, a indagação do vereador Santa Rosa é louvável. ‘‘Ele está exercendo seu papel, que é averiguar. Particularmente, não acredito que mais ações tenham sido vendidas, porque o Conselho de Acionistas teria que ser informado’’.
O diretor financeiro da CMTU Hélio Biagio negou ontem a venda de 7% das ações da companhia, por meio de sua assessoria de imprensa. Segundo Biagio, a comercialização ‘‘não procede’’. Ainda de acordo com o diretor, toda e qualquer negociação tem que passar pelo Conselho Administrativo da CMTU. Fazem parte do Conselho o presidente da companhia, o secretário de Fazenda, dois vereadores e representantes de acionistas minoritários.
Os vereadores Célio Guergoleto (PMDB) e Sidney de Souza (PTB), que faziam parte do conselho, se afastaram do cargo cerca de seis meses antes das eleições, para se candidatarem à reeleição, e até agora não foram substituídos. Conforme declarações de Biagio, alguns acionistas podem ter comercializado suas ações e isso pode ter gerado informações equivocadas, que chegaram ao vereador.
Junto com a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), a CMTU vem sendo alvo de investigações por parte do Ministério Público (MP), que apura irregularidades na administração pública. Diretores da companhia, como o ex-presidente Kakunen Kyosen, são acusados de envolvimento em esquema de licitações e contratos fraudulentos. As investigações começaram em fevereiro do ano passado, levantando a possibilidade de um rombo nos cofres públicos de até R$ 200 milhões. De acordo com o MP, os desvios comprovados até agora são de R$ 16 milhões.

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