Venda de 45% agiliza corte de despesas na Sercomtel
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sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A possibilidade - em discussão - de a Copel vender os 45% de ações que detém na Sercomtel ao setor privado é o principal fator que agiliza o debate sobre a venda da Celular e a implementação de medidas administrativas apontadas por uma consultoria interna. Entre esses apontamentos que objetivam o enxugamento de despesas estão a diminuição dos gastos com terceirizados, a revisão do quadro de pessoal efetivo e o corte de três diretorias, cada uma ao custo bruto mensal de pelo menos R$ 15 mil aos cofres da telefônica.
A discussão sobre a venda do percentual acionário adquirido em 1998 foi admitida ontem pelo vice-governador, Orlando Pessuti (PMDB), após uma reunião com três diretores da Sercomtel indicados pela Copel. A hipótese teria sido anunciada também ao prefeito Nedson Micheleti (PT), na semana passada, pelo presidente da estatal, Rubens Ghilardi, segundo o próprio chefe do Executivo municipal (leia texto nesta página).
De acordo com o vice-presidente da Sercomtel, Oscar Bordin, a tentativa de ''demovê-lo (Pessuti) da idéia e ver que é importante a manutenção (da parceria)'' chegou mesmo a nortear a reunião de ontem. Para ele, o encontro por ora informal deverá ser complementado na semana que vem com uma audiência em Curitiba com o vice ou com o governador Roberto Requião (PMDB). A intenção: defender os pontos positivos que sustentem um aporte de capital da companhia, na empresa, como argumento para expansão da Fixa e da Internet pelo Estado. Outra frente de discussão, disse Bordin, será sobre os pontos negativos e sobre as readequações em andamento para resolvê-los, ou, pelo menos, minimizá-los.
Em relação a isso, o vice-presidente da telefônica explicou que estão em andamento as propostas da uma consultoria contratada em março passado, concluída em junho, cujas ações teriam sido deixadas em stand by até que viesse a resposta sobre a estadualização. Há uma semana, Ghilardi anunciou que impedimentos legais vetariam essa possibilidade.
''A Sercomtel é uma das principais arrecadadoras de impostos à economia de Londrina, detém 95% do mercado de telefonia fixa e pelo menos 90% do de internet. Levamos ao vice-governador as chances de expandirmos essas duas frentes nos demais municípios onde impera o monopólio privado'', explicou Bordin, que faz questão de deixar a Celular e as coligadas de fora desses planos.
Segundo o executivo, além de adequações no quadro funcional, pontos elencados pela consultoria tais como a ampliação da cartela de clientes já estão sendo postos em prática. ''Os contratos com terceirizados estão sob revisão, ampliamos nosso sistema de vendas e muitos funcionários de serviços internos estão sendo jogados na linha de frente, de venda'', citou. Sobre a recomendação para o corte de três das oito diretorias - cujas pastas ele não especificou; do total, cinco são da Prefeitura, e três da Copel -, Bordin resumiu: ''Elas podem ter as funções redefinidas, ser cortadas e haver acúmulo. Agora (que a Copel deu a resposta) vamos definir o organograma dessas ações, que não são localizadas, mas globais'', completou.
Após a reunião com os diretores, realizada em Maringá, Pessutiu afirmou que, ''da parte do Governo, a Sercomtel ainda não é questão definida''. Conforme o vice-governador, se a venda de 45% é estudada pela Copel, também não estão descartadas a compra de 10% das ações do Município e a ampliação dos investimentos. ''Minha intenção sempre foi a de termos um serviço de telefonia estadual. Mas pode ser que, entre as várias possibilidades em estudo, estejam as formas de recuperar as finanças da Sercomtel para torná-la, de fato, uma empresa viável'', sinalizou.
Semana que vem, todos os diretores da telefônica se reúnem, em Londrina, para uma avaliação de planejamento. Dela devem sair tópicos à audiência com Pessuti ou com Requião.


