Venda da Sercomtel fica para após 2008
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terça-feira, 23 de outubro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O prefeito Nedson Micheleti (PT) admitiu ontem que um eventual processo de venda da Sercomtel deverá ser conduzido apenas por seu sucessor à frente da Prefeitura de Londrina. A declaração foi dada após a oficialização, entre Prefeitura e Copel, do encerramento das negociações pró-estadualização. Nos sete anos da atual administração, divididos em dois mandatos, foram três tentativas malfadadas de levar a cabo a privatização da Sercomtel.
Se por um lado ele reconhece que debater a venda da telefônica é assunto inviável, em 2008, por outro, Nedson afirmou que reverter a queda no número de clientes ou ganhar apoio da Câmara para tal, ainda este ano, podem favorecer a privatização. Mas o petista analisa: a pouco menos de mais de dois meses para o fim do ano, a hipótese é pouco provável.
Na coletiva de retorno de uma licença de 11 dias, Nedson repetiu o discurso do presidente da Copel, Rubens Ghilardi. Na sexta passada, em Londrina, Ghilardi defendera que só o ganho de clientela salvaria a empresa da inviabilidade. Nedson, entretanto, preferiu politizar a discussão: para ele, ou o londrinense adere à Sercomtel, independentemente de obter vantagens em outras operadoras, ou não se posiciona contra a venda.
''Quem é contrário à venda tem posicionamento político, basta ver as pessoas que têm telefone de outra companhia e são contrárias à privatização. É um direito delas pensar assim, por isso faço também um chamamento político a elas: optem pela Sercomtel não só pela questão econômica, ou pelo próprio bolso, ou então não me venham fazer oposição política à venda'', criticou.
O prefeito informou que, fracassada a estadualização, o próximo passo será a ofensiva de mercado em busca de mais clientes - ''não em quantidade, mas em volume de negócios'', salientou, referindo-se a grupos empresariais.
A busca de uma ''solução política'' também não está descartada - referência à derrubada da lei que exige plebiscito para o caso de negociação de ações. Mesmo assim, Nedson garantiu: não há negociações engatilhadas com a Câmara de Vereadores, nessa direção.
Quanto às chances de venda em 2008, Nedson acredita que dificilmente o debate teria contornos técnicos ou econômicos. ''Pela proximidade com a eleição, seria um debate altamente politizado, com contornos emocionais, então seria impossível executar uma operação como essa. Ou a privatização é encaminhada ainda este ano, ou fica para a próxima administração.''
Ao mesmo tempo, o chefe do Executivo deu mostras de que, se depender só de investimentos dos dois acionistas, a Sercomtel não vai longe. ''Fechamos os três últimos anos com prejuízo, e este ano devemos ficar no equilíbrio. Mas para 2009, por exemplo, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) vai autorizar a terceira geração para telefonia celular, o que exigirá grandes investimentos - os quais nem Sercomtel, nem Copel têm hoje condição alguma de fazer'', prevê.


