A Prefeitura de Londrina realiza hoje à noite, no Teatro Marista, uma audiência pública para discutir os motivos que levaram o governo municipal a defender a venda dos 55% de ações preferencias da Sercomtel Celular, que pertencem ao município, sem a realização de um plebiscito, previsto em lei. Os outros 45% das ações preferenciais pertencem à Companhia Paranaense de Energia (Copel).
De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, o objetivo da audiência é envolver a comunidade e lideranças representativas no processo de venda. O prefeito Nedson Micheleti (PT) e o presidente da Sercomtel, Francisco Roberto Pereira, vão expor os motivos que levaram a decidir pela comercialização da Sercomtel Celular.
A administração argumenta que um possível plebiscito iria retardar o processo de venda da estatal e inviabilizar a negociação com a Telecom Itália Móbile (TIM), até agora a única empresa a manifestar interesse em adquirir a empresa londrinense. Segundo a assessoria, a TIM quer resposta até julho para saber se a Celular será ou não vendida. Se até lá não houver resposta, a TIM começa a se instalar na cidade para operar pela banda D.
O receio – e a pressa – da prefeitura é que, com mais uma concorrente operando no mercado, o preço da Sercomtel Celular caia, resultando em prejuízo para a comunidade. No entanto, a vereadora Elza Correa (PMDB), uma das autoras da lei que prevê a obrigatoriedade do plesbiscito, discorda da posição do Executivo. ‘‘O plebiscito não vai atrapalhar a venda. A não realização do plebiscito seria o mesmo que endossar que a população não estaria preparada para dar sua opinião’’, afirmou.
Segundo uma enquete realizada pela Folha ontem, 15 vereadores são favoráveis à realização do plebiscito: Hélio Cardoso (PSB), Beto Scaff, Carlos Bordim, Tercílio Turini e Roberto Kanashiro (todos do PSDB), Elza Correa (PMDB), Sandra Graça (PSB), Sidney de Souza e Luis Tamarozzi (ambos do PTB), Renato Araújo (PPB), João Abussafi (PRTB), Henrique Barros (PFL), Rubens Canizares (PHS), Jamil Janene (PDT) e Félix Ribeiro (PPS). São contra os petistas André Vargas e Márcia Lopes, Leonilso Jaqueta (PMDB) e Paulo Arildo (PHS). Flávio Vedoato (PL) e Orlando Bonilha (PDT) estão indecisos.
Ontem, o líder do prefeito da Câmara, André Vargas, solicitou e conseguiu a retirada por três sessões do projeto que pede o fim da exigência do plebiscito. ‘‘Depois da pressão da Câmara ele (Nedson) inverte o processo, que tinha que ser debatido com a comunidade antes e retira o projeto de pauta’’, espetou Elza.

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