Os deputados estaduais devem votar hoje pela manhã o projeto de iniciativa popular que impede a venda da Copel. A votação teve que ser suspensa ontem por causa do protesto de estudantes, que invadiram o plenário da Assembléia Legislativa. A situação é tensa para oposição e situação. Em tese, o placar está empatado, e o voto minerva deve ser do presidente da Casa, Hermas Brandão (PTB) que só vota em caso de empate. A sessão está marcada para as 10 horas, no Plenarinho, sem a presença de manifestantes.
O placar está em 26 a 26. A oposição somava 25 nomes, mas passou a contar ontem com o tucano Sérgio Spada. O governo tinha 27, mas o deputado Luiz Fernandes Litro (PSDB) foi internado com suspeita de infarto. Seu suplente é Antonio Carlos Baratter (PDT), que declarava ser favorável ao projeto popular.
Em conversas reservadas, nem situação nem oposição estavam confiantes no resultado. A madrugada de ontem desgastou os deputados, que permaneceram no plenário por cerca de 22 horas. O Palácio Iguaçu pressionava para que a votação fosse feita ontem. Mas não houve condições de realizar a sessão.
O líder do governo, Durval Amaral (PFL), preferia que a votação ocorresse ontem. ''Seria mais prudente continuar os trabalhos hoje (ontem)'', disse. A oposição estava dividida. Alguns deputados defendiam a realização da sessão na próxima semana, na tentativa de garantir mais apoio. O arcebispo de Curitiba, Dom Pedro Fedalto, foi pedir ao presidente da Assembléia o adiamento da votação. Não adiantou. O plenário estará desfalcado porque, na próxima semana, cerca de dez deputados têm viagem marcada para a Europa, onde participam de uma missão patrocinada pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).
Ontem à tarde, Durval Amaral teve uma reunião com o governador Jaime Lerner (PFL). Segundo o secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, Lerner agradeceu o empenho dos aliados que ficaram 36 horas sem dormir, na expectativa de derrubar o projeto popular. A busca por votos vai movimentar as duas bancadas até a votação da matéria. A assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu informou que o governador não se pronunciaria sobre o assunto.
Por volta das 3 horas da madrugada de ontem, foi votado o primeiro dos três projetos que tratam da venda da Copel. De autoria do deputado Divanir Braz Palma (PST), o projeto prevê a suspensão da venda da Copel por 90 dias. A votação acabou empatada em 26 votos, o que levou Hermas Brandão a decidir, optando pelo arquivamento do projeto. A votação foi encarada como uma prévia do cenário que se desenhava para a possível votação de hoje.

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