Patrícia Zanin
O senador e presidente regional do PSDB Alvaro Dias (PSDB) concluiu um estudo com base no balanço da Companhia Paranaense de Energia (Copel) do ano passado e garante que sua privatização trará apenas R$ 992 milhões aos cofres do Estado. ‘‘Isso é menos do que custou a Hidrelétrica de Salto Caxias’’, comparou Alvaro, lembrando que o valor da usina foi de R$ 1,2 bilhão. ‘‘Não vale a pena privatizar a Copel’’, reafirmou ele, em visita à Folha. O senador já havia se manifestado contra a venda quando o governo anunciou oficialmente a idéia de entregar a Companhia à iniciativa privada.
Segundo ele, do patrimônio líquido da empresa de R$ 4,6 bilhões, o Estado detém a maioria das ações ordinárias - 58,65% - enquanto o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está com 26,4% das ações. O restante, 12,5%, está sob custódia a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O estudo de Alvaro indica ainda que 80,8% das ações preferenciais da Copel estão sob custódia em bolsas, 10,8% pertencem a Eletrobrás e 8,4% ao BNDES.
Os dados indicam, segundo Alvaro, que se a Copel for vendida, caberá ao Paraná apenas 31,1% do valor. ‘‘Com a privatização, sobraria ao Paraná R$ 1,4 bilhão, mas é preciso deduzir R$ 508 milhões referentes a um repasse feito no governo Requião e que se constitui em dívida do Estado para com a Copel. Portanto, restariam ao Paraná apenas R$ 992 milhões’’, afirmou o senador. Ele lembra que a legislação possibilita o pagamento desse valor em Título da Dívida Agrária (TDA) ou em precatórios, o que significa que o Estado pode não receber nada pela privatização nesse momento. A Copel teve lucro líquido de R$ 403,6 milhões no ano passado.
Ele argumentou ainda que outro fator desaconselhável à privatização da Copel é o exemplo de países como a Argentina e o Chile, que privatizaram o setor e não deu certo. Disse que, nestes países, a concorrência baixou os preços, mas o mercado se desestruturou a ponto de haver áreas no Chile nas quais as empresas privadas operam sob regime de monopólio. ‘‘Os especialistas já apontam para o fantasma da escassez de energia, com blecautes diários e efeitos devastadores na economia do País’’, alertou. O senador disse que a produtividade despencou 14% desde o início da crise energética, com fortes riscos de o Chile perder US$ 100 milhões por mês em produtividade e vendas’’. ‘‘Será que queremos o mesmo para o Paraná?’’, emendou.
Ele questionou ainda o fato de o BNDES não financiar o setor energético do setor público, mas apenas o setor privado, e pretende transformar sua indagação em um pedido de informações ao Ministério das Minas e Energia. Para ele, existe uma pressão do governo federal em forçar a venda das estatais de energia, que se manifesta também na concessão de reajustes, que variam de 16% a 20% para as empresas privadas e aumentos menores para empresas públicas, como o caso da Copel. ‘‘O governo deixa a impressão de que tenta fazer uma desvalorização para a venda mais barata, o que é um crime contra a economia do Estado’’, afirmou.
Alvaro disse que não abriria mão do patrimônio da Copel. ‘‘O governo tenta resolver problemas que ele próprio criou, mas seria importante continuar com a Copel como fator estratégico para o desenvolvimento do Estado’’, discursou. A mesma análise foi feita anteontem no Senado, quando o tucano pediu ‘‘cautela no processo de privatização da Copel’’.Levantamento feito pelo senador aponta que, se a companhia for vendida, Paraná ficará com apenas 31,1% de seu valor
Milton DóriaDesvantagemAlvaro Dias: ‘‘Restariam R$ 1,4 bilhão com a privatização, mas é preciso deduzir dívidas contraídas’’

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