Venda da Celular quitaria dívida de R$ 14 mi
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quarta-feira, 07 de novembro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Em caso de venda da Sercomtel Celular, um eventual comprador terá o direito de solicitar o abatimento de quase R$ 14,5 milhões do valor solicitado pela Copel e Prefeitura, acionistas da telefônica. É esse o montante de uma dívida da empresa com a Sercomtel Fixa e que se arrasta, a maior parte, desde o ano de 2004 - e nas palavras do presidente do grupo, Gabriel Campos, ''sem qualquer perspectiva de pagamento, que não pela venda''.
Ao todo, segundo os dados fornecidos pela própria Sercomtel S.A., a dívida reconhecida pela Celular com a Fixa soma hoje exatos R$ 14.495.659,55. Desse total, cerca de R$ 10 milhões vem desde março de 2004 e se refere ao pagamento de suporte corporativo de serviços que a Fixa presta à telefonia móvel. Os pouco mais de R$ 4 milhões restantes vêm desde o ano passado e dizem respeito aos chamados contratos de mútuo firmados entre as duas empresas. Esse tipo de acordo pode ser feito, por exemplo, quando a móvel recorre à Fixa para obter financiamento, e não a uma instituição financeira, pela aquisição de aparelhos celulares. Aqui, todo mês a devedora deveria quitar ao ''credor'' os juros decorrentes do empréstimo. ''Mas isso só será possível quando a Celular obtiver lucro novamente, ou quando os acionistas decidirem vender a empresa: quem comprar, o fará sabendo que essa dívida existe'', disse Campos.
Conforme o presidente da telefônica, se os R$ 4 milhões não estão sendo pagos, tampouco os R$ 10 milhões de aporte por meio de serviços de suporte técnico prestado. Por outro lado, Campos negou que o débito impacte de alguma forma no prejuízo de mais de R$ 4 milhões registrado no balanço de 2006 da Celular - conforme a reportagem apurara, um pouco antes, com fontes da empresa que não quiseram se identificar. Ao mesmo tempo, ele também refutou que a falta de investimentos dos acionistas em suporte técnico da Celular, por exemplo, tenham levado a empresa a essa situação.
''Existe um contrato entre a Fixa e a Celular desde o criação desta. Por ele, a Fixa fornece à telefonia móvel infraestrutura, recursos e pessoal, tanto que o presidente de ambas é a mesma pessoa, mas quem paga, é a Fixa'', disse. ''A Celular teria de reembolsar a empresa por esse trabalho corporativo, mas como desde 2004 vem obtendo prejuízo, não paga. Só que esse tipo de relação é com as coligadas e também com a Internet'', destacou Campos, salientando que esses empréstimos ''não interferem no resultado da Fixa''. Sobre a relação deles com o prejuízo da Celular, encerrou: ''Essa dívida é efeito, não causa do prejuízo. Ou seja: gastou-se mais do que se arrecadou''.
A análise desses números integra também os trabalhos do grupo de estudos formado na Câmara de Vereadores de Londrina, semana passada, sobre o futuro da telefônica. Da iniciativa, pode sair ou não a proposta de venda da Celular - hipótese defendida pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), que preferiu agir só depois de o Legislativo se posicionar.


