São Paulo - A página da revista ''Veja'' na internet informa que três jornalistas da publicação sofreram ontem ''abusos, constrangimentos e ameaças, num claro e inaceitável ataque à liberdade de expressão garantida na Constituição'', durante depoimento na Polícia Federal (PF) em São Paulo.
Segundo a revista, ''a pretexto de obter informações para uma investigação interna da Corregedoria sobre delitos funcionais de seus agentes e delegados'', a PF intimou cinco jornalistas de ''Veja'' a prestar testemunhos, todos responsáveis pela apuração de reportagens que relataram o envolvimento de policiais numa ''operação abafa'', que seria destinada a afastar o ex-assessor especial da Secretaria Particular da Presidência da República Freud Godoy da tentativa de compra do dossiê falso que seria usado para incriminar políticos adversários do governo.
Desses jornalistas intimados, o delegado Moysés Eduardo Ferreira ouviu ontem Júlia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro. Segundo Júlia, Camila e Carneiro, a inquirição deu-se não na qualidade de testemunhas, mas de suspeitos.
''As perguntas giraram em torno da própria revista, que, por sua vez, pareceu aos repórteres ser ela, sim, o objeto da investigação policial'', diz o texto. Segundo a ''Veja'', não houve violência física, mas o relato dos repórteres mostra que foram cometidos ''abusos, constrangimentos e ameaças''.
O texto da Veja cita vários momentos de constrangimento enfrentados por Júlia durante o depoimento, como perguntas sobre os motivos pelos quais ela escrevera ''essa falácia'' e acusações da revista para ''fabricar'' notícias contra a polícia.
Embora os repórteres da ''Veja'' tenham sido convocados como testemunhas, eles não puderam se consultar com a advogada que os acompanhava, Ana Dutra. Também foi negado aos jornalistas o direito a cópias das próprias declarações. Ferreira teria alegado que tais depoimentos eram sigilosos.

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