O ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, disse ontem em Maringá que o País está caminhando para ter juros de um dígito. Segundo ele, a CPI dos Bancos não está atrapalhando a entrada de dólares no País, ‘‘mas a exploração política do problema, no exterior, está trazendo consequências, danos à economia’’.
‘‘Se não fosse a CPI, os juros hoje estariam em 25%, caminhando para os 16% em pouco tempo. Por isso acredito que em breve teremos juros de apenas um dígito’’, afirmou. Ele não soube precisar, porém, quando o País terá juros de um dígito. O ministro esteve em Maringá para inaugurar um Centro Operacional dos Correios.
A informação sobre a queda dos juros, informou Veiga, ‘‘foi levada hoje (ontem) cedo pelo Banco Central ao presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem tomei o café da manh㒒, afirmou.
O ministro admitiu que o governo está lutando para evitar a convocação do ministro da Fazenda Pedro Malan pela CPI. ‘‘O Malan não é aliado do governo. Ele é um agente do governo. Se for convocado aí então teremos uma questão política formulada por gente que quer fazer da CPI um palanque de ação política’’, afirmou.
Recentemente, Pimenta da Veiga e o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), protagonizaram um bate-boca por causa da eventual convocação de Malan para depor na CPI dos Bancos. ACM mandou dizer a Pimenta que ele mesmo assinará o requerimento de convocação de Malan se continuarem as pressões do Palácio do Planalto sobre o Congresso para evitar que o primeiro escalão da equipe econômica deponha na CPI. Veiga respondeu que o senador é aliado e teria de entender que a convocação do ministro é um ato político negativo para o governo.
Ontem, em Maringá, o ministro das Comunicações disse ter um ‘‘relacionamento muito amável’’ com o parlamentar baiano. ‘‘Minha briga com ACM é coisa do passado’’, garantiu.
Pimenta da Veiga acredita ainda que a CPI chegará ao seu final, não será esvaziada e poderá mostrar novos rumos econômicos ao governo. ‘‘É bom que a CPI chegue bem. Este é um episódio democrático. Queremos que a CPI aprofunde as investigações, punindo os responsáveis pelos danos à economia. Os senadores têm o nosso estímulo para isto. Suas conclusões poderão servir de parâmetro para que o governo reformule seus passos’’.

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