Veículos comprados da Planam são inadequados ou subutilizados
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de agosto de 2006
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
Das cinco cidades paranaenses que, segundo a Controladoria Geral da União (CGU), adquiriram equipamentos de saúde irregularmente com recursos do governo federal, via emendas parlamentares, entre 2001 e 2005, pelo menos uma nunca utilizou o veículo em razão de equívocos administrativos; outra recebeu ambulância desprovida dos equipamentos médicos; a terceira subutiliza o equipamento por causa de inadequações técnicas; no quarto município o veículo é movimentado apenas uma vez por semana por falta de pessoal; e uma cidade garante usar integralmente o equipamento.
Os dados foram levantados no relatório de fiscalização da CGU e indicam que em três destas cidades os veículos foram comprados de empresas ligadas ao grupo Planam, do Mato Grosso - acusado de coordenar o esquema de desvio de verba do Ministério da Saúde, batizado de ''Sanguessuga''. Possível relação das compras analisadas pela CGU e o esquema sanguessuga está sendo analisada pelo Ministério Público Federal e Congresso Nacional.
A assessoria de imprensa da Controladoria informou que o número de municípios paranaenses que negociaram veículos com o grupo Planam pode chega a 75, mas a lista oficial ainda não foi divulgada.
Levantamento realizado pela Folha mostra que a unidade móvel adquirida pela prefeitura de Ortigueira (113 km ao Sul de Apucarana), por R$ 76.800, em 2001, com recursos federais, até hoje está inativa porque o veículo veio equipado com instrumentos odontológicos, e não médicos como solicitado.
''A prefeitura não tem nem nota fiscal do veículo, só descobrimos de onde veio pelo cadastro do Detran. Foi pedido um carro novo para a Unidade Básica de Saúde e não veio nada disso'', informa a assessoria de imprensa da prefeitura.
No município de Juranda (78 km ao Sul de Campo Mourão), a unidade móvel adquirida em 2004 por R$ 79.500 foi entregue sem a instalação de equipamentos médicos que constavam no edital de licitação, entre eles um ressuscitador manual, aparelho para medir pressão arterial, maleta com estetoscópio, bancos com cinto de segurança para médico e auxiliar, telefone celular, ar-condicionado e vidros na porta traseira.
''O relatório foi feito pela Controladoria da União. Eles acharam também que a licitação foi dirigida porque permitiu apenas veículos Mercedez Benz. Se pudesse de outras marcas, com certeza sairia mais barato''.
O alto custo (R$ 88 mil) e a inadequação dos equipamentos médicos são as principais fontes de queixa do atual secretário de Saúde de Manoel Ribas (146 km ao Sul de Apucarana), Sigfrid Willi Schweigert. A prefeitura local adquiriu três ambulâncias com recursos federais, ''mas os equipamentos são bem fraquinhos'' na visão do secretário.
''O primeiro veículo é muito mal acabado, não tinha tubo de oxigênio e foi adaptado na 'marreta'.'' Na visão do secretário, a aquisição só valeria a pena se fosse ''pela metade do preço''. ''O Estado comprou um veículo melhor por R$ 70 mil.'' Sigfrid Schweigert disse, no entanto, que por falta de alternativa, o veículo é usado diariamente como ambulância do hospital local.
Em Guaraniaçu (68 km a leste de Cascavel), a ambulância comprada em 2001 por R$ 76 mil, com recursos federais, estava parada na oficina essa semana para troca do assoalho. O ônibus destinado a atendimento médico e odontológico teve infiltração de água, segundo o secretário de Saúde, Volnei Antônio Dalagnol. O secretário diz que o ônibus é usado uma vez por semana para atender a zona rural. ''Só não utilizamos mais porque o médico é o mesmo do posto de saúde e do hospital.
Em Doutor Ulysses (117 km ao Norte de Curitiba), ao contrário das outras cidades, a secretária de Saúde, Salete Westley, não reclamou do ônibus e os aparelhos médicos e odontológicos adquiridos em 2002. A secretária garantiu que o veículo não apresenta problemas e foi entregue com todos os itens previstos. ''A gente atende aproximadamente 70 pessoas por semana com o veículo nos locais que não tem unidade de saúde. Até hoje, ele nunca deu problema.''


