Brasília - Em depoimento no Conselho de Ética da Câmara dos deputados, o empresário e chefe da máfia das ambulâncias, Luiz Antônio Vedoin, confirmou ontem o envolvimento do empresário Abel Pereira na liberação de emendas de parlamentares para compra de ambulâncias no período da administração do ex-ministro Barjas Negri, hoje prefeito de Piracicaba, em 2002. Vedoin, no entanto, não elencou o nome dos parlamentares beneficiados - disse não se recordar - e afirmou que nunca esteve pessoalmente com o ex-ministro.
Vedoin também negou ter oferecido um dossiê contra o senador Aloízio Mercadante (PT-SP), ao contrário do que afirmou Abel Pereira em depoimento dado à Polícia Federal em Cuiabá. O empreiteiro de Piracicaba informou que Vedoin teria lhe oferecido documentos que poderiam comprometer o senador. No depoimento, Vedoin confirmou que acertou com Pereira o pagamento de 6,5% de comissão em troca da liberação de emendas. ''Acredito que o Abel tinha relação com o Barjas Negri'', disse o empresário e um dos donos da Planam, principal empresa do esquema.
Em depoimento na tarde de ontem, Barjas Negri negou qualquer envolvimento com a máfia das ambulâncias no período em que esteve no comando da pasta - de fevereiro a dezembro de 2002. Barjas também disse não ter nenhuma ligação com a família Vedoin - acusada de chefiar o esquema - e com o empresário Abel Pereira.
De maneira geral, o empresário confirmou todas as denúncias feitas nos depoimentos anteriores, mas, na avaliação do presidente do Conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), isentou quatro parlamentares incluídos pela CPI dos Sanguessugas no rol dos suspeitos de envolvimento com as fraudes na compra de ambulâncias: Wellington Fagundes (PL-MT), Wellington Roberto (PL-PB), Pedro Henry (PP-MT) e Laura Carneiro (PFL-RJ).
Na gestão do sucessor de Negri, o petista Humberto Costa, Vedoin reafirmou que negociava com José Aírton Cirilo, eleito deputado federal pelo Ceará, e repetiu, igualmente, que nunca esteve pessoalmente com Costa. Mas se recusou a entrar em mais detalhes. Afirmou que só responderia a perguntas relacionadas a parlamentares. Foi o primeiro depoimento de Vedoin na Câmara dos Deputados. Seu relato servirá para embasar todos os 67 processos de cassação em tramitação no Conselho de Ética.
''O depoimento foi muito útil. Vedoin confirmou o pagamento de propinas e trouxe novas informações e vários relatores já me informaram que ficaram satisfeitos'', avaliou Ricardo Izar. Ele se diz confiante de que os 67 processos serão votados ainda nesta legislatura, cujos trabalhos se encerram em 22 de dezembro.

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