Curitiba - Nove dias de depoimentos, apresentações de documentos e citação de nomes de envolvidos na chamada máfia de sanguessugas. A Folha obteve acesso aos depoimentos dados pelo empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin ao juízo da 2 Vara Federal do Mato Grosso, que investiga as organizações criminosas. O depoimento cita 50 prefeituras paranaenses (veja infográfico nesta página) que se beneficiaram diretamente de emendas parlamentares para a aquisição de ambulâncias ou ônibus usados equipados com materiais odontológicos e médicos, favorecendo em licitações as empresas do esquema dos sanguessugas. Vedoin teria repassado comissões para os parlamentares envolvidos e, em alguns casos, para os prefeitos e assessores que facilitaram as licitações.
Inicialmente, a Folha publicou quatro municípios que teriam sido beneficiados. De acordo com Vedoin, entre os anos de 2002 e 2004, a empresa Delta Construções e Representações Ltda. era a principal ligação entre a Planam e os estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A Delta teria sido criada para dar cobertura às empresas da família Vedoin já que uma empresa da região precisaria participar das licitações para dar aparente ar de legalidade. Já as empresas Santa Maria, Klass e Planam eram coordenadas por Gustavo Trevisan Gomes em Curitiba entre 2002 e 2003. As empresas possuíam barracão na capital paranaense a pedido, segundo depoimento de Vedoin, do ex-deputado federal Basílio Villani (PSDB-PR).
As empresas só teriam sido desativadas em janeiro de 2004, quando Vedoin teria constatado que os dois parlamentares paranaenses que davam cobertura para os negócios em Curitiba não foram reeleitos (Villani e o ex-deputado federal Márcio Matos, do PTB). Vedoin citou ainda que tinha contato com o deputado federal Íris Simões (PTB-PR), que teria facilitado licitações em vários municípios paranaenses. Na maior parte das licitações no Paraná, Vedoin reconheceu que não foi realizado qualquer pagamento a servidores ou prefeitos, embora todas as licitações tivessem sido direcionadas. As comissões teriam sido pagas sempre para os então deputados Villani, Matos e Simões.

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