Vedoato nega ter recebido dinheiro para doar terreno
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quinta-feira, 27 de março de 2008
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O inquérito que apura compra de votos para aprovação de projeto que beneficiou o empresário Marcelo Caldarelli - caso que ficou conhecido após a divulgação de uma lista com nomes de nove vereadores supostamente envolvidos - deverá ser concluído em uma semana. A estimativa foi dada ontem pelo delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina, Alan Flore, após tomar o depoimento do vereador afastado Flávio Vedoato (PSC).
Na oitiva que durou cerca de 40 minutos, Vedoato reafirmou que não recebeu dinheiro para votar a favor de projeto de lei aprovado em 2005 que permitiu a doação de uma área na Zona Sul a Caldarelli, medida revogada posteriormente pela Justiça. À imprensa, ele afirmou que chegou a ver a lista redigida pelo vereador também afastado Renato Araújo (PP), mas que ela continha apenas nomes, e não valores - como traz o documento em poder do Gaeco.
Vedoato disse ainda que aceitou dar voto favorável porque ''ele (Araújo) pediu, não falou que projeto era, só o número'' e que é natural seu nome estar na lista por ''sentar ao lado dele (Araújo) na Câmara há oito anos''. Ele não deixou claro se repassou outras informações ao Gaeco, mas por mais de uma vez frisou que o delegado lhe pediu sigilo.
Sobre seu afastamento do Legislativo, determinado há cerca de 20 dias e mantido pelo Tribunal de Justiça (TJ) esta semana, o vereador declarou ''que isso nos chateia, pois deveria haver um despacho para cada um (dos quatro vereadores afastados), e não o mesmo para todos. Até isso ir para a Câmara do Tribunal, vai demorar um tempo. E é ano eleitoral, a gente tem comércio na cidade, tem família, é um sofrimento grande''. A exemplo do que o colega Araújo declarou no início da semana, Vedoato afirmou: ''Pretendo e vou participar (sic) da reeleição''.
Flore confirmou que o vereador foi ouvido na qualidade de ''declarante'' e que, pelo menos até ontem, não havia sido indiciado. Segundo o delegado, Vedoato disse que conhecia Caldarelli ''por ser uma pessoa conhecida na cidade, mas sem vínculo de amizade''. ''Ele disse que não tinha nenhuma informação que fosse colaborar com as investigações'', comentou Flore.
O depoimento do ex-vereador Orlando Bonilha (PR), que estava previsto para a tarde de ontem, não aconteceu. Segundo o delegado, por dois dias consecutivos policiais tentaram localizar Bonilha no endereço fornecido por ele - um hotel da cidade - mas, como em outras ocasiões, não o encontraram. Flore acrescentou que se Bonilha for encontrado mas não comparecer ao Gaeco, poderá ser levado até lá via ''coação coercitiva'', ou seja, com escolta policial. A declaração da defesa de Bonilha, de que o ex-vereador só vai se manifestar em juízo, é irrelevante para eximi-lo do comparecimento. ''Ele pode vir aqui e não fazer declarações, mas terá que comparecer para ser qualificado e pregressado'', disse.
Para hoje, estão previstos os depoimentos de duas pessoas já indiciadas junto com Bonilha - Araújo e o vereador afastado Osvaldo Bergamin (PMDB) - além do ex-vereador Henrique Barros. Segundo Flore, estes receberam intimação.


