Rio de Janeiro - As Indústrias Nucleares do Brasil (INB) levaram cinco dias para detectar que houve um pequeno vazamento de material radioativo no setor de produção de pó da fábrica de combustível nuclear, localizada em e Resende (RJ), e outros dois dias para comunicar o incidente à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), órgão fiscalizador do setor. O problema ocorrido em 19 de março é o terceiro do gênero desde que a unidade foi inaugurada, em 2000, e é o primeiro a ser divulgado à imprensa. Quatro funcionários estavam na sala em que foi percebido o vazamento, mas não foram contaminados. Eles passaram por rigorosos testes no Instituto de Radioproteção e Dosimetria da CNEN, na Barra da Tijuca.
''O vazamento foi pequeno e a quantidade de radiação a que eles ficaram expostos é menor do que se tivessem tirado uma radiografia'', afirmou o presidente da comissão, Odair Dias Gonçalves. Ainda assim, Gonçalves entendeu que houve falhas da INB em detectar o problema. Ele informou que a CNEN vai estudar soluções para que se descubra mais cedo vazamentos do gênero e exigir que as medidas sejam adotadas pela empresa. A coordenadora de Instalações Nucleares da CNEN, Conceição Koide, também apontou falhas na comunicação do incidente à comissão. ''As normas prevêem que a comunicação seja imediata'', afirmou.
O diretor de Produção do Combustível Nuclear, Samuel Fayad, negou os problemas. Segundo ele, o que houve foi um microvazamento, insuficiente para ser percebido pelos sensores que disparam o alarme e paralisam as atividades da fábrica, que produz o combustível que abastece as usinas nucleares de Angra dos Reis. ''Esse tipo de vazamento é captado pelo filtro, que é trocado diariamente, e as normas prevêem que esse filtro só seja analisado 48 horas depois. Nem que os nossos funcionários ficassem um ano recebendo aquela radiação, ela chegaria ao nível crítico. Foi uma situação irrelevante e por isso a comunicação não precisa ser imediata'', afirmou Fayad.
O material que vazou foi o óxido de urânio, um pó que depois de processado se transforma nas pastilhas de urânio. De acordo com a CNEN, o vazamento teria ocorrido na junção de uma mangueira. Fayad explicou que o sistema de conexão da mangueira foi reajustado, mas não se pode garantir que o vazamento partiu dali. ''Apenas um filtro captou aumento da radiação. Não se sabe se ele foi contaminado antes de ser instalado, por exemplo. A indústria não é perfeita. O equipamento não funciona 100% o ano todo e por isso nós vamos corrigindo'', reagiu Fayad.

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