A quebra de sigilo do protocolo da Renault desencadeou um choque de vaidades na oposição. O senador Osmar Dias (PSDB) e o deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB) trocaram farpas ontem para garantir a ‘paternidade’ das informações. O senador chamou o deputado de ‘‘amador’’ por ter se atropelado no vazamento. ‘‘Eu tinha este protocolo há 15 dias e estava fazendo uma análise aprofundada. Ele só está preocupado com a reeleição’’, atirou Osmar.
Para o deputado, a reação de Osmar é ‘‘pura ciumeira’’. ‘‘Quem denunciou o protocolo não importa. Essa atitude até desqualifica as nossas informações’’, discursou. Desprovido de modéstia, Romanelli devolveu a provocação do senador ao declarar que se fosse ele (Osmar) o responsável pelo repasse das informações no Paraná, o assunto não teria a mesma repercussão. ‘‘O Osmar não tem a mesma simpatia’’, ironizou.
Na verdade, o vazamento do acordo Paraná-Renault não foi exclusividade de Romanelli. O senador deu entrevista também na quarta-feira, em Brasília, por volta das 16 horas, sobre o mesmo assunto. Osmar passou as informações do documento para a sucursal do jornal paulista ‘‘O Estado de São Paulo’’, que deu destaque para o assunto em sua primeira página da edição de ontem.
O presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB), também entrou na briga entre os aliados da oposição. A cópia do protocolo, vazada internamente pelo governo, foi repassada via Álvaro para Osmar e Romanelli. ‘‘Eu sugeri que o Romanelli levasse esse assunto para ser divulgado no fórum das oposições, mas infelizmente ele gosta muito de aparecer’’, avalia.
O presidente da Telepar aproveitou ainda para dar uma cutucada no senador Roberto Requião (PMDB). ‘‘Espero que o Romanelli não dê uma de Requião, de fazer denúncias sem dar prosseguimento na apuração’’, provocou. Álvaro admite que ficou irritado com as primeiras informações da quebra dadas pelos jornais estaduais na terça-feira, com medo de o assunto ser ‘‘queimado’’.

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