Campo Grande - O delegado titular da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio da Polícia Federal (PF) em Campo Grande, Aldo Roberto Brandão, afirmou ontem que foi a partir de uma conversa em uma barbearia que surgiu a denúncia de que ele teria provocado o vazamento de informações sobre a Operação Artêmis 3, desencadeada no dia 4 de abril deste ano, contra a chama ''máfia dos caça níqueis''. O depoimento foi tomado ontem à tarde, mesmo com o delegado sob licença médica.
Explicou que um dia depois das apreensões, estava no salão de barbeiro, situado em frente ao escritório de Elenilton Andrade, um dos acusados de ser gerente de casas de bingo pertencentes ao ex-deputado estadual pelo Paraná Nilton Cezar Servo. Na ocasião, A PF apreendeu 465 máquinas caça níqueis, e Andrade comentou notícias dos jornais dando conta das apreensões, dizendo que a ''polícia quer acabar com o jogo''. Brandão respondeu: ''A tendência é acabar mesmo''.
Ao contrário do que disse Brandão no depoimento, a PF possui gravações em que no dia 19 de abril, Andrade contou a um conhecido identificado como Alexandre Frozino Ribeiro, que Aldo havia avisado 15 dias antes da Artêmis 3, para ''o pessoal retirar o equipamento da rua porque haveria repressão da PF''. O delegado esclareceu que Alexandre foi colega dele em um curso sobre Direito Penal.
Um delegado da Polícia Civil também foi ouvido ontem. Marcelo Vargas, ex-titular da Delegacia de Ordem Política e Social do MS (Deops) prestou depoimento e foi liberado, durante a manhã. Disse que não tem nenhuma culpa, com relação à máfia dos caça níqueis. ''Sou inocente. Caso contrário, eu não viria aqui na qualidade de testemunha e minha prisão teria sido decretada''. Na justiça comum, Vargas responde processo sobre o desaparecimento de R$ 12 mil, referentes a taxas de porte de armas cobradas pelo Deops.
Fernando Augusto Soares Martins, atual titular do Deops, foi preso na segunda-feira da semana passada, por receber propina para não fazer apreensão de máquinas caça-níqueis em Campo Grande. Sobre Soares, Vargas afirmou que ''até hoje, a questão do jogo no Mato Grosso do Sul, é problema político social e não policial. Não fosse isso, não haveria mais bancas de jogos de bicho espalhadas pelo Estado todo'', ressaltou.
Outro depoimento considerado importante nas investigações sobre as quadrilhas de jogo de azar, foi do chefe do Serviço Reservado da Polícia Militar, coronel Marcos Antônio David dos Santos. Irritado e de pouca conversa, deixou às pressas o prédio da PF, depois do depoimento, dizendo apenas que e seu nome foi envolvido na Operação Xeque-Mate por um dos ''ouvidos'' dos ''grampos'' da Polícia Federal.
A maior expectativa dos delegados que coordenam os trabalhos da Operação Xeque-Mate, em relação aos novos depoimentos, é sobre o ex-comandante da Policia Militar do MS, e atual deputado estadual pelo PSB, Ivan de Almeida. Sobre ele a PF tem informações de ser um dos ''empresários'' da máfia dos caça-níqueis. Porém, como deputado, tem foro privilegiado. O Ministério Público Federal formulou pedido ao Tribunal Regional Federal para investigar o parlamentar.

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