Também ontem, a Prefeitura anunciou a assinatura de um contrato emergencial para os serviços de varrição com a empresa NM Consultoria, Construções e Serviços Ltda., da Bahia, o qual prevê ampliação da área de abrangência da varrição das ruas cidade em cerca de 2 mil quilômetros por mês. Por 180 dias de serviço, o contribuinte londrinense vai desembolsar R$ 479 mil.
Conforme o diretor administrativo e financeiro da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), André Nadai, com a assinatura do contrato, o serviço de varrição passará a atender 85% das vias municipais, além de reduzir, proporcionalmente, o valor pago pelo serviço em mais de R$ 29 mil mensais. ''O valor cairá de R$ 85 por quilômetro para R$ 78 por quilômetro.''
O contrato anterior, de R$ 345 mil, previa a varrição de 4.062 quilômetros de ruas do Centro de Londrina. ''A partir de agora, a empresa ficará responsável pela varrição de 6 mil quilômetros de vias públicas e logradouros, além da lavagem do calçadão, limpeza de praças, feiras livres e do Bosque Central'', destacou o diretor. O novo contrato entra em vigência no dia 1º de agosto.
De acordo com Nadai, uma das novidades do contrato é o retorno das ''margaridas''. ''A intenção é que o próprio morador do bairro desenvolva a limpeza das vias públicas de onde mora'', declarou, destacando que 50 mulheres serão recrutadas nos bairros onde acontecerá o serviço.
Bastidores -
A contratação da NM gerou uma onda de comentários nos bastidores políticos da cidade. Além de configurar o terceiro contrato assinado emergencialmente pela CMTU, desde a posse da atual gestão, em maio, foi aventada a suposta relação entre a construtora e o secretário de Planejamento nomeado pelo prefeito Barbosa Neto (PDT), Fábio Passos de Góes. Membro da equipe de transição do mandato interino para o atual, Góes é formado em Administração na Bahia, estado da NM, e lá também foi superintendente da Associação dos Moradores do Baixo Sul da Bahia.
O secretário estava com o celular desligado - segundo a assessoria de imprensa e o gabinete de Góes, ele estava em viagem. O diretor da CMTU negou a relação. ''O secretário de Planejamento não tem nada a ver com esse tipo de contratação, que nem passa pela pasta dele. A empresa (NM) procurou a CMTU em maio, de modo que foi contratada dentre quatro empresas (dos estados da BA, PR, MG e SP) devido ao preço mais baixo'', explicou. Sobre o fato de o grupo baiano pertencer a um ex-sócio do consórcio OAS, conhecido nos escândalos de supostas fraudes comandadas pelo ex-tesoureiro de Fernando Collor, Paulo César Farias (PC Farias), Nadai resumiu: ''Não tinha conhecimento dessa informação''.
Além do contrato emergencial para a varrição, a falta do Plano de Saneamento do Município já fez com que a CMTU assinasse emergencialmente com a Visatec (R$ 130 mil mensais), para transporte do lixo reciclável, e com a Construsinos, do RS, para manutenção do aterro (R$ 113 mil/mês), até então feita pela Paviservice. Nadai admite, porém, que contratos como os da capina e roçagem (feitos pelas empresas Ecossystem e Seleta por, respectivamente, R$ 112 mil e R$ 160 mil mensais) e o da coleta e transporte de lixo (R$ 530 mil mensais, executado pela Seleta) também podem ser alvos de acordos emergenciais. Quando o Plano de Saneamento fica pronto - o que viabiliza, por exemplo, abertura de licitações? ''Até o final do ano, a gente espera. Não pode ser feito 'correndo', ainda que fosse para estar pronto ano passado''. Em que fase está? ''O plano prevê diagnóstico, objetivos e metas. Está na fase de diagnóstico, que é a mais complicada.''

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