Vargas vira alvo do Conselho de Ética e renuncia à Mesa
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quarta-feira, 09 de abril de 2014
Das Agências 
Brasília - O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Federal, Ricardo Izar (PSD-SP), rejeitou ontem a questão de ordem apresentada por integrantes do PT para tentar impedir a instauração de processo disciplinar contra o deputado licenciado André Vargas (PT-PR). Na sequência, Izar determinou a abertura da ação contra o petista. No mesmo dia, já no início da noite, Vargas divulgou uma carta na qual ele renuncia ao cargo de vice-presidente da Câmara.
Integrantes da bancada do PT podem, no entanto, recorrer da decisão do Conselho de Ética junto ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). A questão de ordem foi apresentada no início da sessão pelo deputado Zé Geraldo (PT-PA). De acordo com o petista, não poderia ser aberto o processo por ele se basear em reportagens jornalísticas relativas a investigações da Polícia Federal (PF) que culminaram com a deflagração da operação Lava Jato.
"Note-se que são matérias jornalísticas que dão a versão daqueles meios de comunicação aos fatos e expõem supostas provas que teriam origem em fontes daqueles noticiosos", afirmou Geraldo. Durante a leitura do documento, o petista defendeu que as investigações contra André Vargas sejam feitas na Corregedoria, como propôs o Psol. "Em sua representação, o Psol, por intermédio do seu líder, deputado Ivan Valente (SP), enfatizou que a Corregedoria corresponde à instância apropriada para a investigação das acusações", ressaltou o paraense.
O vice-líder do Psol, Chico Alencar (RJ), criticou, no entanto, a iniciativa de integrantes do PT. "Espero que esse conselho não se demita vergonhosamente de suas funções", afirmou o carioca. A manobra dos petistas é feita de olho na possibilidade de Vargas ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa.
Caso ele seja condenado no Conselho de Ética, pode perder o mandato em votação aberta no plenário e passaria a ficar inelegível. Caso se inicie uma investigação na Corregedoria, somente após concluído e votado o relatório ele seria enviado para o Conselho de Ética. "Não existem provas, além de notícias jornalísticas baseadas em fontes anônimas ou obtidas ilegalmente de um inquérito policial sigiloso", disse Geraldo.
INVESTIGAÇÃO
O colegiado investigará as denúncias do envolvimento do petista com o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. O petista está sob intensa pressão desde que a Folha de S.Paulo revelou que uma viagem sua de jatinho, de Londrina a João Pessoa, com familiares, foi paga pelo doleiro. Eles também conversaram sobre a negociação de um laboratório com o Ministério da Saúde.
O advogado de Vargas terá dez dias para apresentar defesa prévia e indicar até cinco testemunhas de defesa. Ao longo do processo, ele poderá ir pessoalmente ao colegiado.
SAÍDA DA VICE-PRESIDÊNCIA
Em uma carta lida na noite de ontem pelo líder do PT na Câmara dos Deputados, Vicentinho (SP), André Vargas anunciou que abre mão da vice-presidência da Casa para se dedicar a sua defesa no processo instaurado pelo Conselho de Ética.
"Tomo essa decisão para que eu possa me concentrar em minha defesa perante o conselho e para não prejudicar o andamento dos trabalhos da Mesa Diretora, e também preservar a imagem da Câmara, do meu partido e de meus colegas deputados", diz o petista no documento.
Ao ler a carta, Vicentinho disse que o partido apoia sua decisão e que, a partir de agora, a legenda passará a discutir nomes para substituir Vargas na vice-presidência. Os mais cotados seriam o ex-líder do PT José Guimarães (CE), o vice-líder do governo Henrique Fontana (RS) e o ex-presidente da Câmara Marco Maia (RS).
Vicentinho hesitou em falar sobre uma possível renúncia de Vargas ao mandato parlamentar e limitou-se a dizer que a questão é "de foro íntimo". "Ele agora quer ter o direito defesa e de ser ouvido", disse Vicentinho.
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