O deputado federal André Vargas (PT) acusou ontem a administração municipal interina de faltar com a verdade ao afirmar que o arquivamento do processo relativo à liberação de R$ 6,5 milhões para o Teatro Municipal de Londrina resulta na perda da verba. De acordo com o deputado, o empenho de liberação não foi cancelado - o que significa que a verba poderá ser utilizada quando forem finalizados os projetos complementares do empreendimento. Segundo Vargas, ele já havia repassado a informação ao prefeito José Roque Neto (PTB).
''Processo arquivado não quer dizer verba cancelada. É só apresentar o que está faltando para desarquivar e liberar os recursos'', disse o deputado. ''Se a Secretaria de Cultura, ao invés de fazer declarações pela imprensa, procurasse quem está cuidando disso, como eu, veria que o empenho continua lá. O prefeito também não me procurou mais para tratar disso.''
De acordo com Vargas, o posicionamento da administração municipal é político. ''Faz parte da tentativa de descontrução da administração anterior'', afirmou.
Em contato com o departamento de Assessoria Parlamentar do Ministério da Cultura, a FOLHA obteve a informação extraoficial de que o empenho está vigente - o que significaria que ''provavelmente'' a verba ainda pode ser liberada. O responsável pelo setor, porém, não foi localizado pela reportagem.
O diretor da secretaria de Cultura, Rafael Arruda, que na segunda-feira sustentou a perda dos recursos, ontem foi mais cauteloso. ''Fiz a pergunta à chefia de gabinete do Ministério da Cultura e a resposta não foi otimista. Eles disseram que a liberação é muito difícil'', disse. No início da noite de ontem, Arruda ligou para a FOLHA informando que a assessoria parlamentar do Ministério da Cultura acabara de afirmar que ''desconhece a informação de que os recursos (para o Teatro) estariam disponíveis''. ''A informação que temos é que o processo está arquivado.''
O prefeito interino José Roque Neto informou, por meio da assessoria de imprensa, que pediu mais informações sobre o assunto à Secretaria de Cultura - que por sua vez aguarda um posicionamento final do Ministério da Cultura. O prefeito disse ainda que os projetos complementares do teatro têm prazo de entrega previsto para junho deste ano. A Secretaria Executiva do Ministério não retornou os contatos da FOLHA.

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