Vargas nega compra de casa com propina
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quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba O ex-deputado federal André Vargas (sem partido-PR) negou ontem, durante interrogatório realizado na Justiça Federal do Paraná, em Curitiba, que tenha adquirido a casa em que sua família vive, em Londrina, no condomínio Alphaville Jacarandá, pelo valor de R$ 980 mil, com dinheiro ilícito. De acordo com a denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF) o político teria realizado a aquisição do imóvel para esconder recebimento de recursos de propina.
Os procuradores apontam que o político adquiriu a residência pelo seu valor de mercado, contudo, registrou no contrato, na escritura pública e na declaração de imposto de renda a soma de R$ 500 mil, ou seja, um valor inferior ao preço real de aquisição, ocultando os R$ 480 mil restantes. A denúncia aponta que a "manobra" teria sido realizada para lavar parte do dinheiro gerado pelos crimes já denunciados à Justiça.
Foi a primeira vez que o londrinense respondeu aos questionamentos do juiz Sérgio Moro. Na outra ação penal em que já foi condenado a 14 anos e quatro meses de prisão, Vargas preferiu ficar em silêncio. Sua mulher, Edilaira Soares Gomes, também foi ouvida; e seu irmão, Leon, usou o direito de permanecer calado. "Tenho 14 anos de vida pública e, neste período, tive um rendimento de R$ 3,6 milhões. Em nenhum momento, nenhum recurso ilícito entrou na conta corrente ou mesmo foi movimentada por mim", ressaltou.
Ele destacou que o dinheiro utilizado para comprar a residência teve origem em economias pessoais, da venda de um sítio e de movimentações financeiras em suas contas decorrentes de seu salário como parlamentar. Vargas negou que tenha utilizado recursos depositados nas contas das empresas LSI e Limiar em que ele era sócio de seu irmão, para comprar a casa. Segundo o MPF, era por meio destas empresas que Vargas teria recebido dinheiro ilícito. "Todos os meus bens cabem perfeitamente na minha receita. Não foi saque destas empresas", se limitou a dizer.
Questionado sobre o motivo pelo qual a escritura do negócio foi feita no valor de R$ 500 mil, Vargas afirmou que foi um pedido do antigo proprietário, um juiz federal, feito ao corretor imobiliário, e que ele acabou aceitando. "Só aceitei a orientação do corretor. Concordei em fazer a escritura nesse valor porque era uma iniciativa de um juiz federal."
A versão, no entanto, difere da apresentada pelo ex-proprietário, o juiz Eduardo Appio, que prestou depoimento à Justiça em agosto. Na ocasião, Appio afirmou que o corretor apresentou a proposta de fazer a escritura em valor abaixo do negócio para ajudar a compradora, Edilaira, a pagar menos impostos na transação.
Também por diversas vezes Vargas frisou ao magistrado que tanto Edilaria quanto Leon não tiveram responsabilidade sobre a compra da residência, mesmo o imóvel estando no nome dela. "Há duas pessoas responsáveis por esse fato, eu e o dr. Eduardo Appio", garantiu.


