Vargas e réus da Lava Jato completam 4 meses de reclusão
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quinta-feira, 09 de julho de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba Já desfiliado do Partido dos Trabalhadores (PT) e ainda aguardando a análise de seu processo por quebra de decoro no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, dificilmente o ex-parlamentar londrinense André Vargas (sem partido-PR) acreditaria, em julho do ano passado, que um ano depois, ele estaria dividindo uma cela com outras duas pessoas no Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
Além dele, os ex-deputados Pedro Corrêa (desfiliado do PP-PE) e Luiz Argôlo (afastado do SD-BA), completam hoje quatro meses de recolhimento devido às investigações da Operação Lava Jato. Os políticos passaram 45 dias na carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF) e já estão a 46 dias no sistema penitenciário estadual. A ala em que os réus da Lava Jato estão é destinada a receber policiais presos e detentos que possuem curso superior (médicos, advogados). Os investigados dentro da operação ocupam quatro celas do CMP, cada uma com três camas e um vaso sanitário.
A Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp) não informou quem são os "colegas" de cela de Vargas devido a questões de segurança. Além dos ex-parlamentares, seguem presos no local o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque; o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto; Fernando Soares, lobista apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção; Adir Assad (apontado como operador junto à empreiteira Mendes Jr.); e Mário Góes (operador de propina).
Além dos oito detidos investigados na Lava Jato, as celas especiais acomodam outros 27 presos. O chuveiro é coletivo e compartilhado entre os 96 presos que fazem parte da mesma galeria. Como o local também abrigada apenados idosos e gestantes, e o sistema de abastecimento de água é o mesmo, a água do local é quente. Os detidos têm direito a uma hora de banho de sol por dia, e eles também circulam pelos corredores da galeria. Entretanto, na maior parte do tempo ficam na cela, lendo livros ou assistindo televisão. O cardápio prevê dois pães e uma caneca com café, chá ou achocolatado durante a manhã e, além disso, cada detento recebe duas marmitas por dia, às 11h30 e às 17h.
Durante as visitas, que sempre ocorrem às sextas-feiras, os familiares podem levar roupas, cobertores e alimentação (barras de chocolate, bolos e sanduíches). Tudo é vistoriado pela segurança do CMP. Também podem ser entregues aos presos kits de higiene. Desde que foi transferido para Pinhais, Vargas sempre recebeu visitas, exceto nos dias em que teve que comparecer na Justiça Federal do Paraná, para acompanhar as audiências de testemunhas de acusação.
O londrinense é réu em dois processos que tramitam na 13ª Vara Federal Criminal, em Curitiba. Em um deles, ele é suspeito de crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. O MPF aponta que o ex-parlamentar utilizou duas empresas de fachadas (LSI e Limiar) que estavam em seu nome e nos nomes de seus irmãos para receber dinheiro desviado de contratos da agência Borgui/Lowe justamente com a Caixa e com o Ministério da Saúde (MS). Estes valores, segundo os procuradores, chegam a princípio a R$ 1,1 milhão. Em outra ação penal, Vargas reponde por lavagem de dinheiro e sonegação fiscal por meio da compra de um imóvel de luxo em Londrina.
As testemunhas de defesa no processo de André Vargas começam a ser ouvidas hoje. O primeiro a ser ouvido será Carlos Ferreira da Costa, que foi arrolado pelos advogados do publicitário Ricardo Hoffmann. Na mesma ação penal, também são réus o ex-deputado e seu irmão Leon Vargas. A defesa de Vargas informou ontem o juiz Sérgio Moro que desistiu da oitiva de Alaim Giovani Fortes Stefanello, gerente jurídico regional da Caixa. Em seu lugar os advogados requereram a convocação do deputado federal Carlos Alberto Rolim Zarattini, como testemunha de defesa. O ex-prefeito de Londrina Nedson Micheletti deve ser ouvido no próximo dia 22.


