Brasília - Alvos de processo por quebra de decoro parlamentar, os deputados federais André Vargas (sem partido-PR) e Luiz Argôlo (SDD-BA) podem escapar da cassação do mandato. Ambos são processados pela ligação com o doleiro Alberto Yousseff, um dos pivôs do escândalo de desvio de recursos da Petrobras. O processo de cassação de Vargas seria analisado na próxima semana, mas a cúpula da Câmara remarcou a sessão para o dia 10 de dezembro, a uma semana dos encerramentos dos trabalhos da Casa. Inicialmente, a reunião fora programada para ser realizada até o dia 3 de dezembro, mas o deputado pediu o adiamento sob o argumento de que fizera um procedimento cirúrgico que lhe impediria de se defender em plenário. Ele ainda não entregou o atestado médico. Nos bastidores, deputados afirmam que são grandes as chances de não ter quórum na sessão para analisar a representação de Vargas.
Além do esvaziamento do Congresso desde o início do processo eleitoral, eles apontam outro fator pró-Vargas: a Casa terá uma renovação de 43,5% a partir de fevereiro - 111 dos atuais deputados tentaram, mas não conseguiram se reeleger e não temeriam o desgaste de salvar o colega, segundo essa visão. Para a cassação ser aprovada, são necessários os votos de pelo menos 257 dos 513 deputados. A votação é aberta. Ex-vice-presidente da Câmara, Vargas tem procurado colegas e enviado cartas para explicar sua situação. Se for cassado, ele será enquadrado na Lei da Ficha Limpa, ficando inelegível por oito anos. Conforme a Folha de S.Paulo revelou, Youssef emprestou a Vargas um jatinho para que ele e a família pudessem passar as férias no Nordeste. Ele é suspeito ainda de intermediar interesses de empresas-fantasmas do doleiro em contratos com o Ministério da Saúde.
A situação de Argôlo é mais confortável e seu caso pode nem chegar ao plenário do Congresso antes do recesso parlamentar. Ele recorreu à Comissão de Constituição e Justiça contra a cassação aprovada pelo Conselho de Ética. O relator do caso, deputado Valtenir Pereira (PROS-MT), ainda não apresentou seu parecer. Argôlo é acusado de receber dinheiro e favores de Youssef.

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