Durante sua nova oitiva na Justiça Federal do Paraná, o doleiro Alberto Youssef disse que o ex-deputado federal André Vargas, que teve o mandato cassado por quebra de decoro parlamentar, foi o responsável por "abrir as portas" do Ministério da Saúde para a empresa Labogen.
Conforme apontou o doleiro, ao saber das dificuldades financeiras pelas quais Leonardo Meirelles, dono da Labogen, estava passando - inclusive devendo valores ao próprio Youssef -, ele resolveu ajudar o empresário porque tinha "um grande negócio na mão". "Eu pedi ajuda ao André Vargas, que era um deputado federal, era vice-presidente da Câmara, para que ele nos ajudasse no Ministério da Saúde para que a gente pudesse ter as portas abertas", contou o doleiro.
Segundo Youssef, não houve favorecimento da empresa para o fechamento de contratos. "Somente as portas abertas no Ministério da Saúde, porque não é fácil você pegar uma empresa que está parada há vários anos, bater na porta do Ministério da Saúde e ser bem atendido", justificou.
O doleiro ainda completou dizendo que "infelizmente se você não fizer um lobby, nenhum empresário consegue entrar em nenhuma parte do poder público para prestar serviço. Nesse País funciona assim".

Manifestação
O londrinense aproveitou a audiência para se manifestar perante o juiz Sérgio Moro e, inclusive, citou o caso Banestado e afirmou que não atua mais como doleiro. "Na verdade, não sou só um doleiro e não fui só um doleiro. Sempre tive uma atividade lícita, tive empresas (GFD e Marsans), gerei empregos, paguei impostos e isso é o que sempre fiz. Podia muito bem ter ficado com o dinheiro que ganhei no Banestado e ter ficado em casa. Mas não, preferi investir este dinheiro no mercado, correr o risco. Abandonei a atividade de doleiro, mas infelizmente me envolvi no negócio da Petrobras", confessou.
"Gostaria de dizer que minha família está pagando com isso, eu estou pagando. Não sei quanto tempo vou ficar preso. Eu era só uma engrenagem do processo e que isso foi uma operação montada para obter poder público. Nada mais que isso. Eu era totalmente descartável. A partir do momento em que eu não cumprisse com as obrigações de maneira correta, recebesse e pagasse os valores, no outro dia eu estaria fora. Poderiam contratar outra pessoa para fazer este trabalho´´, concluiu. (R.C.J.)

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