Mensagens de protesto aos políticos, de um modo geral, e, em particular, à saúde pública em Londrina, ao humor do governador Roberto Requião (PMDB), às decisões judiciais não cumpridas, à sensação permanente de falta de segurança e ao próprio eleitor. Foram elas que estamparam ontem o ''Varal da vergonha'' instalado em frente à Câmara de Vereadores por membros da organização não governamental (ONG) Transparência Londrina. O ato lembrou o Dia Mundial de Combate à Corrupção, celebrado ontem, e levou à frente do prédio do Legislativo as mensagens coletadas de cidadãos londrinenses, no último sábado, no Calçadão da avenida Paraná. A presidente da ONG, Inês Wolff, também falou sobre o tema em um breve pronunciamento no grande expediente da sessão ordinária.
O palco para lembrança da data foi justamente aquele onde houve a cassação de um prefeito (Antonio Belinati, em junho de 2000) e de um vereador (Orlando Bonilha, em maio do ano passado), além de uma profusão de ações do Ministério Público (MP) contra parlamentares. Só em 2008, por exemplo, metade dos 18 vereadores empossados em janeiro de 2005 acabou sendo processada após denúncias de corrupção e formação de quadrilha. A resposta à crise veio nas eleições de outubro, quando a maioria dos que tentavam a reeleição viu a vaga ser tomada por nomes de fora do circuito das últimas legislaturas.
A renovação foi de 70% - mesmo assim, em menos de um ano foram cinco ações contra um único vereador (o afastado Rodrigo Gouvêa, PRP, que passou ainda 23 dias preso), uma ação por suposto ''racha de salário'' de assessores (contra o tucano Paulo Arildo) e investigações em curso, no MP, de suposto assessor ''fantasma (contra a presidente da Comissão de Ética, Sandra Graça, PP) e suposto pedido de favorecimento em licitação do Executivo (denúncia apresentada pelo Executivo contra o vereador Joel Garcia, PDT). Os acusados e os investigados negam as acusações.
Para o diretor-executivo da ong Transparência Londrina, Oswaldo Calzavara, ''ainda há muito conformismo misturado à revolta com a classe política'', de modo que, avalia, não há, na opinião do ativista, muito a comemorar na cidade sobre o combate à corrupção. ''De tudo o que já aconteceu em Londrina, quantos dos denunciados estão na cadeia ou quantos devolveram aquilo que teria sido roubado, desviado? Isso desanima o eleitor, dá a sensação de que tudo continua do mesmo jeito. Por isso falamos à Câmara que ela precisa de uma virada.''
Em plenário, membros da ONG foram questionados pelo fato de o varal ter sido colocado apenas no prédio do Legislativo, e não nas outras esferas de poder - caso de Executivo e Judiciário. ''Concordo plenamente com a atitude da ONG, mas por que não a estendem também à Prefeitura e ao Fórum? Por que, quando se fala em corrupção, só se cita a Câmara?'', questionou o vereador Gérson Araújo (PSDB). Para o presidente da Casa, a ação ''foi absolutamente normal, muito útil.''
Indagado sobre a escolha específica do local para exposição das mesangens, o diretor da Transparência alegou: ''Não temos como acompanhar tudo; não daríamos conta. E a Câmara tem mais facilidade de acesso aos representantes do povo - ela não é o ponto final do nosso trabalho, mas o de início'', justificou. Se o varal seria levado também a prédios do Fórum e da Prefeitura? ''Não sei se está programado'', disse outro membro da ONG, Lourival Santana. Perto das 17 horas, o varal foi desmontado e levado embora.

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