Vanuchi nega provocação em evento que lembra mortos na ditadura
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sexta-feira, 14 de maio de 2010
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Apucarana - Um dia depois da publicação da terceira edição do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH), que sofreu alterações significativas em nove pontos - incluindo alguns relacionados com o período da ditadura militar -, o secretário nacional de Direitos Humanos, o ministro Paulo Vanuchi, participou em Apucarana (Norte do Paraná) da inauguração de um monumento que homenageou dois estudantes da cidade que foram mortos pelas forças repressivas do Estado durante os anos de chumbo. Mesmo assim, ele negou que a presença dele fosse provocação aos críticos do programa.
Para o ministro, as alterações dos tópicos do PNDH são parte do jogo democrático entre o Brasil das ''tradições'' e aquele das novas ideia. ''Foi o programa possível para o Brasil de hoje'', comentou, completando que os encaminhamentos colocados no programa devem balizar o debate sobre direitos humanos daqui para frente no País. Citou, por exemplo, os tópicos alterados depois de discussão com a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) relativos à proposta de apoio à descriminalização do aborto. Pelo novo texto, o PNDH considera o aborto ''como tema de saúde pública, com a garantia do acesso da mulher aos serviços públicos''.
Vanuchi argumentou que um indicativo de que o programa de direitos humanos não foi desfigurado com a nova redação foi a reação negativa por parte da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que ainda não estaria satisfeita com o tópico relativo à questão agrária no que diz respeito aos conflitos agrários e mediações em invasões de terra. O programa, que antes previa a realização de audiência pública antes da discussão na Justiça, foi modificado e manteve a previsão de que os proprietários de áreas invadidas possam ingressar com ações de reintegração de posse logo após a invasão. ''Mesmo assim, a CNA continua achando que está tudo como antes. Mas o programa não questiona o direito à propriedade. Ele lembra que a propriedade existe mas que há que ser também responsabilidade social'', afirmou.
A lembrança da ditadura militar esteve presente em todo o tempo da passagem do ministro por Apucarana. Ele participou de um debate com estudantes no início da tarde e no final do dia inaugurou um monumento na Praça Semíramis Braga, no centro, em homenagem aos estudantes Antônio dos Três Reis de Oliveira e José Idésio Brianezi. Ambos militaram na Ação Libertadora Nacional (ALN) em São Paulo, entre o final dos anos 1960 e início dos anos 1970, e foram mortos por agentes das forças repressivas.


