Vanhoni desiste de disputar governo
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sexta-feira, 08 de fevereiro de 2002
Lino Ramos Reportagem local 
O deputado estadual Ângelo Vanhoni surpreendeu as lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) e renunciou à pré-candidatura ao governo do Estado. Segundo o presidente estadual do partido, o vereador londrinense André Vargas, Vanhoni comunicou a decisão anteontem à noite, por telefone. O deputado havia sido indicado como pré-candidato no mês passado, após um consenso entre os grupos do deputado estadual Irineu Colombo e do deputado federal Padre Roque Zimmermann, que abriram mão da disputa para apoiar Vanhoni. Ele nos ligou oficialmente e alegou que estava desistindo de sua pré-candidatura por motivos pessoais, disse Vargas.
Vanhoni não foi localizado ontem pela Folha. Em Curitiba, a assessoria do deputado negou que ele tivesse desistido da pré-candidatura ao governo. A executiva estadual do PT se reúne hoje em Curitiba para tentar um consenso sobre um novo pré-candidato, que irá disputar as prévias com a professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Milena Martinez, também pré-candidata ao governo. Padre Roque e Irineu Colombo voltam a disputar a vaga de candidato. O secretário de Fazenda de Londrina, Paulo Bernardo, também pode entrar no páreo, embora diga que pretende concorrer a deputado federal.
Colombo não escondeu sua irritação com Vanhoni. Nós todos estamos indignados com essa decisão, ele (Vanhoni) havia firmado um acordo conosco de ser candidato em qualquer circunstância, desabafou. Padre Roque foi mais comedido. Ele deve ter razões pessoais bastante sérias e tem o direito de não revelar, não posso condená-lo e acho ruim, porque mais uma vez, perdemos tempo, saliva e muita energia. Mas ainda há tempo para o PT se organizar e buscar o consenso, avaliou.
De acordo com Padre Roque, o grupo a corrente Unidade na Luta (da qual faz parte o prefeito de Londrina, Nedson MIcheleti) forçou a candidatura de Vanhoni. Ele foi lançado mais pelo grupo do que por ele mesmo, sempre sentiu-se inseguro, finalizou.
Com a renúncia de Vanhoni, não faltaram rumores de que a decisão do deputado estaria ligada a uma eventual aproximação do PT com o PMDB, tendo o senador Roberto Requião como candidato ao Palácio Iguaçu. Porém lideranças petistas garantem que a maioria dos filiados defende candidatura própria ao governo. Não posso dizer se houve acordo, porém não há maioria para abrir mão da candidatura própria. O Requião merece nosso respeito e vamos trabalhar para ele ao Senado, provocou André Vargas. Na avaliação de Padre Roque, esse tipo de situação iria contra a maioria no partido e soaria como um golpe.


