Apesar do discurso unânime de que o apoio dos demais partidos de oposição no segundo turno é incondicional, o PT está adotando em Curitiba as principais bandeiras de campanha de seus aliados derrotados no dia 1º: o projeto de metrô de Luiz Forte Netto, ex-candidato do PSDB; e a proposta de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) defendida por Maurício Requião, do PMDB.
Segundo Roberto Salomão, coordenador de comunicação da campanha do petista Ângelo Vanhoni, a adoção das propostas não é decorrente de uma eventual barganha política, mas da afinidade entre essas propostas e aquilo que já era defendido pelo candidato no primeiro turno. Essa também é a opinião do senador Alvaro Dias, presidente estadual do PSDB, para quem o programa petista tem vários pontos de coerência com as propostas de Forte Netto.
O argumento é parcialmente verdadeiro. No primeiro turno, as propostas de metrô dos candidatos tucano e petista tinham em comum o local de instalação do sistema de transporte. Eles defendiam que os trens devam circular junto aos eixos rodoviários que ligam as principais regiões da cidade – integrados por vias rápidas de veículos, nos dois sentidos; e vias exclusivas para ônibus expressos.
Mas os projetos divergiam em pelo menos um ponto. No projeto tucano o metrô circularia por vias elevadas, sobre as pistas onde atualmente andam os ônibus biarticulados. A proposta petista inicial defendia que o metrô fosse subterrâneo, mas prevendo a possibilidade de um sistema híbrido (em parte subterrâneo e em parte elevado).
‘‘Mas, no essencial, que é a localização nas canaletas do (ônibus) expresso, as duas propostas são idênticas’’, enfatiza Salomão. A proposta do prefeito Cassio Taniguchi (PFL), adversário de Vanhoni no segundo turno, prevê o metrô no canteiro central da BR-116, no sentido leste-oeste da cidade.
Em relação ao IPTU, as propostas de Maurício e Vanhoni eram idênticas. Eles defendiam um teto de 1% do valor do imóvel, com alíquotas diferenciadas, a partir de 0,2% do valor venal, para diferenciar residências de terrenos baldios, por exemplo. A proposta de Cassio mantém o atual sistema de cobrança: teto de 3% e alíquotas variando de 0,2% a 0,8%, para residências, e entre 0,3% e 3%, para imóveis não residencias e terrenos baldios. Agora, o PT deverá fazer uma defesa mais enfática do teto de 1%.

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