O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), que vai a Brasília hoje para o encontro com FHC, acredita que a crise entre Estados e União é uma ‘‘ameaça crescente aos fundamentos da democracia’’. Mas ele não quis comentar o acirramento dos ânimos entre o governo federal e Minas Gerais. Segundo ele, a saída para essa crise não está só na renegociação do acordo das dívidas entre Estados e União, mas em um novo pacto federativo que abrangeria uma reforma política e outra tributária e fiscal; um modelo de desenvolvimento nacional que privilegie produção, agricultura e emprego; a criação de fundos estaduais de previdência; e o investimento prioritário na educação.
‘‘O Brasil não pode ficar sendo tratado a aspirina. É preciso enfrentar o problema de vez’’, afirmou Garotinho, que batizou suas propostas de ‘‘pacto do Alvorada’’. ‘‘Precisamos aproveitar a crise para dar uma virada e fazer reformas.’’ Durante as negociações, entretanto, o governador pleiteia a dilatação do pagamento das dívidas dos Estados ‘‘e ou a revogação imediata da Lei Kandir e do FEF’’.
Garotinho acredita que FHC anuncie algumas concessões no encontro de hoje com todos os governadores em Brasília. ‘‘O presidente vai anunciar mudanças na Lei Kandir, no FEF e vai dizer que está aberto ao diálogo’’, previu, mas ressaltando que essas medidas são ‘‘insuficientes’’.
Mas o governador carioca não quis fazer previsões sobre o resultado da reunião. ‘‘Ninguém aqui é candidato a astrólogo’’, ironizou, afirmando que espera o início do entendimento, mas disse não acreditar que sejam encontradas soluções definitivas. Em sua proposta de pacto, ele sugere a formação de grupos executivos com técnicos de cada Estado coordenados pelo governo federal. A discussão também contaria com representantes partidários. O primeiro ponto seria a reforma política. ‘‘O adiamento da reforma política favorece o fisiologismo no País. O governo teve força para aprovar a reeleição, porque não faz o mesmo pela fidelidade partidária?’’, criticou.
Garotinho definiu o pacto como ‘‘um documento não acabado’’ - para facilitar a discussão. E salientou que a proposta é uma sugestão pessoal e não um projeto dos governadores de oposição. ‘‘Mas ela não é conflitante com a Carta de Porto Alegre’’ (elaborada dia 5), avalia ele, que diz serem infundados os boatos de que o bloco de oposição está cindido.
O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), aceita discutir com FHC pontos da ‘‘Carta’’. A carta exige que o governo libere os recursos bloqueados para que seja reaberto o diálogo. O documento aborda também a renegociação das dívidas estaduais. FHC chegou a cancelar um encontro marcado anteriormente com os governadores, por ver o documento como uma imposição.
Ontem, antes de embarcar para Brasília, Olívio disse ter o direito de avaliar até o último instante se vai ao encontro. Deixou claro, porém, que quer ir: ‘‘Nossa presença serve para focarmos o tema do pacto federativo’’, afirmou, confirmando presença.

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