Os representantes das empresas que exploram o serviço de transportes coletivos em Londrina reconheceram ontem, em depoimento à Comissão Especial de Investigação (CEI) da Câmara de Vereadores, que os valores pagos pelos insumos do sistema são diferentes dos que constam na planilha aprovada pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Segundo dados levantados pela CEI, o preço do óleo diesel e das carrocerias de ônibus, por exemplo, são maiores do que os praticados no mercado.
O presidente da comissão, Joel Garcia (PDT), afirmou que, no depoimento, o diretor da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), Gildalmo de Mendonça, reconheceu textualmente que a empresa paga menos por alguns produtos em comparação com os valores da planilha.
Ao deixar a Câmara, ontem à tarde, Gildalmo reconheceu que há variação entre os preços - mas não admitiu que a empresa paga mais barato. Segundo ele, essas diferenças representam ''a eficiência da empresa''. Gildalmo disse ainda que o preço da tarifa não tem relação contratual com o lucro da empresa - mas com o custo do sistema.
''O resultado financeiro não tem nada a ver com o preço do serviço que executamos. Isso vai da eficiência ou ineficiência da empresa'', alegou. ''Eles falam que há preços menores no mercado? Mas não é só o critério de preço que utilizamos. Tem que ver a durabilidade e a qualidade dos produtos.''
Gildalmo tentou se explicar utilizando o exemplo do óleo diesel - na planilha, está a R$ 1,92, mas, segundo a CEI, a própria Prefeitura compra a R$ 1,84. ''Qual é o diesel deles? E o prazo de pagamento? O nosso é comprado diretamente na Ipiranga, é ecológico e pagamos com prazo de 15 dias.''
Sobre o lucro anual da TCGL, o diretor abriu os dados de forma cifrada. ''Dá para comprar 25 ônibus nos últimos três anos'', disse. Levando-se em conta o valor de R$ 200 mil por ônibus, citado por ele próprio, daria cerca R$ 5 milhões no período - ou R$ 138 mil por mês. O valor é inferior ao divulgado pelo ex-diretor de Transportes da CMTU Wilson de Jesus durante seu depoimento à CEI. De acordo com Jesus, a empresa lucraria, a título de remuneração de capital, cerca de R$ 6 milhões por ano.
O diretor da empresa Francovig, Francisco Francovig, fez declarações semelhantes à de Gildalmo de Mendonça, com a diferença de que sua empresa estaria registrando prejuízo. ''Nós operamos em desequilíbrio. O sistema apresenta custo superior ao custo'', disse.
Tarifa
O diretor da TCGL afirmou ontem que as empresas, ''por cortesia'', ainda não apresentaram à atual gestão municipal, o pedido de reajuste da tarifa. ''Só tem uma semana de governo, então aguardamos um pouco'', disse. De acordo com Gildalmo, o valor atual - que vigora há três anos - está no limite do praticável.
Joel Garcia (PDT) rebateu os argumentos e disse que, mesmo sem o reajuste, as empresas são lucrativas. Ele disse ainda que, ''talvez'', o aumento se justifique a partir da data-base dos funcionários - que vence em 1º de junho. ''Nós pedimos para adiar a discussão até 1º de julho e o representante da TCGL ficou de dar uma resposta.'' Segundo Garcia, ele terá reunião com o presidente da CMTU nesta terça-feira para repassar os dados colhidos até agora pela CEI.

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