Valor informado é exagerado
Curitiba Celso Três acha improvável, todavia, que a agência do Banestado em Nova York tenha movimentado US$ 30 bilhões no período de 1996 a 1999. A Polícia Federal estima que essa quantia tenha sido enviada para a agência no período em um mega-esquema de lavagem de dinheiro, que está sendo investigado por peritos do órgão.
Durante o período em que investigou as contas CC-5, Celso Três teve acesso a todas as movimentações financeiras do Brasil para o exterior entre janeiro de 1992 e dezembro de 1998. Nesses seis anos, foram enviados um total de US$ 124 bilhões para o exterior. O levantamento não incluiu remessas de valores inferiores a US$ 150 mil.
Para o procurador, é improvável que em apenas três anos a agência do Banestado em Nova York tenha movimentado 25% de todos os valores remetidos entre 1992 e 1998. ''Acho esse valor meio exagerado. É muito para apenas uma agência, mesmo que levemos em conta o fato de Foz do Iguaçu ser a terceira cidade que mais remeteu divisas ao exterior no período'', analisa Celso Três. O procurador, no entanto, não quis revelar outros números de remessas.
A rota da lavagem de dinheiro investigada pela Polícia Federal inclui contas abertas em nomes de bancos e casas de câmbio paraguaias em Foz, que enviariam o dinheiro ao Paraguai antes de ser remetido para o Banestado em Nova York.
O levantamento elaborado pela Procuradoria da República aponta também a origem dos recursos que foram depositados nas contas CC-5. Para Celso Três, os dados coletados indicam que parte dos recursos podem realmente ter vínculos com o crime organizado. ''Para se ter uma idéia, Foz do Iguaçu foi a terceira cidade que mais enviou dinheiro ao exterior, perdendo apenas para São Paulo e Rio de Janeiro. O valor movimentado não condiz com o porte da cidade'', comentou o procurador. Segundo ele, cerca de US$ 9 bilhões teriam sido enviados por empresas e pessoas de Foz do Iguaçu através das contas CC-5 no período investigado. (R.S.)





