Valor de bens é desatualizado
Curitiba - Apesar de ter sido citado textualmente pelo empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, um dos sócios da empresa Planam (acusada de ser a operadora do esquema dos sanguessugas no Congresso Nacional), o deputado federal Íris Simões (PTB-PR) não apresenta oficialmente um patrimônio de bens muito maior do que tinha em 2000 ano em que as propinas começaram a ser pagas para os congressistas em troca de emendas parlamentares que propusessem a aquisição de ambulâncias e ônibus equipados com aparelhos odontológicos e médicos nos municípios. Além de fazerem emendas individuais ao Orçamento da União e receberem 10% do valor total delas, os deputados federais e senadores citados ainda tinham a obrigação de convencer os prefeitos a favorecerem o grupo de Vedoin nas licitações.
Em 2000, o patrimônio oficial de Simões estava orçado em R$ 220,9 mil com 14 bens móveis e imóveis declarados. Em 2006, o patrimônio do deputado paranaense chegou a R$ 573,9 mil com 18 bens declarados. O que mais chama a atenção na declaração de bens do candidato à reeleição é que os patrimônios anteriormente adquiridos foram declarados com o mesmo valor venal em 2006. É como se depois de seis anos, o bem continuasse valendo exatamente o mesmo.
Entre os bens de Simões estão oito terrenos, dois lotes e uma casa na praia, três carros, apartamento em Curitiba e quotas de participação numa emissora de rádio.
Simões foi novamente procurado ontem pela reportagem da Folha, mas não foi encontrado. Por várias vezes, o assessor dele disse ter anotado recados em Brasília para que o parlamentar retornasse as ligações. Entretanto, não retornou.
Esta semana, a Folha publicou parte dos estudos feitos pelo Ministério Público (MP) e pela Polícia Federal que demonstram que os deputados federais e senadores supostamente envolvidos na chamada máfia dos sanguessugas teriam recebido uma média de R$ 70 mil em propinas para beneficiar as empresas da família Vedoin. O paranaense que mais teria recebido propina entre os anos de 2000 e 2004 seria o deputado federal Íris Simões (PTB-PR). Sozinho, ele teria recebido R$ 80 mil dinheiro que teria sido depositado na conta de um assessor do gabinete em Brasília. (L.P.)





