Valério prometeu R$ 100 mi ao PT e PTB, diz Jefferson
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sexta-feira, 01 de julho de 2005
João Domingos e<br>Eugênia Lopes<br>Agência Estado 
Brasília - O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) afirmou no depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, encerrado na madrugada de ontem, que o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza lhe garantiu que arrumaria R$ 100 milhões para o PT e o PTB, caso conseguisse convencer a direção do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) a transferir US$ 600 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) da conta de um banco europeu para outro.
Era para tirar US$ 600 milhões que o IRB tem depositado no exterior, não sei se na Inglaterra ou na Suíça, e transferir para o Banco Espírito Santo, de Portugal, disse. É uma denúncia grave, disse o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS).
O encontro com Valério, segundo Jefferson, foi intermediado pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e ocorreu no início de abril, na sede do PTB, na Asa Norte, em Brasília. Na época, o presidente do IRB era Luís Apolônio Neto, indicado por Jefferson para a presidência do instituto. Depois das denúncias do mensalão, Apolônio se demitiu. O último petebista que resta no governo, segundo Jefferson, é Carlos Cotta, diretor da Caixa Econômica Federal. Jefferson fez um apelo para que também ele saia do governo.
A revelação de Jefferson a respeito da oferta de R$ 100 milhões para o PT e o PTB foi feita à 1h10 da madrugada de ontem, quando era ouvido por alguns senadores e deputados restantes e já na segunda rodada de perguntas do deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ). Por que o Banco Espírito Santo?, perguntou Paes. Porque o Espírito Santo tem interesses no Brasil, respondeu Jefferson. Quais?, insistiu Paes. Não sei. O Valério fez uma contas e disse que se isso fosse feito, sobraria muito dinheiro para o PT e o PTB. Eduardo Paes perguntou de novo: Quanto? Jefferson pensou por uns instantes e respondeu: Cerca de R$ 100 milhões.
Em seguida, Jefferson disse que ligou para o presidente do PT, José Genoino: Zé, esse cara (Valério) é doido. Ele acha que chove dinheiro, que dinheiro dá em árvore. Ainda de acordo com o deputado do PTB, Genoino teria respondido: Fica tranqüilo que ele (Valério) resolve. Genoino rebateu Jefferson: O deputado Roberto Jefferson não me ligou para falar disso. E jamais conversei com o deputado Roberto Jefferson sobre o Marcos Valério. A gente se falava muito, mas sobre alianças partidárias.
Jefferson contou na CPI que no dia 26 ou 28 de março tivera um jantar, em seu apartamento funcional, na 302 Norte, com Genoino, Delúbio Soares, Emerson Palmieri (tesoureiro do PTB) e com o líder do PTB, deputado José Múcio (PE). Era para tratar de dinheiro. O PTB saíra endividado da campanha e eu disse isso ao Genoino. Foi aí que o Delúbio disse que daria uma solução e marcou o encontro com o Marcos Valério, afirmou Jefferson. Genoino de novo contestou o deputado. Eu não fiz pacto de dinheiro com o PTB. Nossa ajuda era com shows, artigos, camisetas. Para Genoino, o PT não poderia ajudar o PTB financeiramente. O PT saiu da eleição com uma dívida de R$ 20 milhões. Não tinha dinheiro para si, como poderia dar alguma coisa para o PTB?
Ainda na madrugada, Jefferson disse que o esquema do
mensalão surgiu no Rio de Janeiro, com esse nome, e que foi criado pelo hoje deputado federal Carlos Rodrigues (PL-RJ).


