Valério e Delúbio admitem esquema de empréstimos
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sexta-feira, 15 de julho de 2005
Das agências 
Brasília - O empresário Marcos Valério confirmou ontem que fez vários empréstimos para o Partido dos Trabalhadores, mas negou que os valores tivessem ligação com o chamado ''mensalão''. Disse que as operações financeiras foram feitas sob orientação do então tesoureiro do PT, Delúbio Soares e se destinavam a saldar dívidas do partido e preparar a campanha eleitoral de 2004. Valério disse que nunca foi beneficiado pelos empréstimos e que está negociando a dívida.
As declarações de Valério evidenciam um provável rompimento com o ex-tesoureiro do PT, a quem considerava, publicamente, um ''amigo''. Sentindo-se abandonado e ''injustiçado'', o publicitário deu início a uma nova estratégia de defesa, cuja primeira demonstração foi o depoimento espontâneo prestado ao procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza.
Na Procuradoria-Geral da República, em Brasília, o empresário, acusado de ser o operador do ''mensalão'' no Congresso, ''resolveu narrar todos os fatos que ele tinha conhecimento'', segundo o advogado dele, Marcelo Leonardo.
O publicitário divulgou nota afirmando que todas as transações foram feitas dentro da legalidade. ''Os recursos originários dos financiamentos foram transferidos, sempre segundo a legislação que regula o sistema financeiro, para o Partido dos Trabalhadores, a título de empréstimos, e depositados na rede bancária para pessoas indicadas pelo então secretário de finanças do PT, senhor Delúbio Soares'', diz trecho da nota.
''Todos os pedidos de socorro financeiro feitos pelo senhor Delúbio Soares baseavam-se, de acordo com o próprio secretário do PT, na necessidade de saldar dívidas relacionadas a campanhas eleitorais. O empresário Marcos Valério reafirma que não tem conhecimento e, muito menos, qualquer envolvimento com a suposta prática do que tem sido denominado de mensalão'', finaliza a nota.
Antes da divulgação do comunicado, ele passou a tarde reunido em Belo Horizonte com os advogados.
O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), se encontrou ontem com o procurador-geral da República que ouviu Marcos Valério na quinta-feira e Delúbio Soares ontem. Soares contou a mesma versão ao procurador sobre os empréstimos feitos pelo PT tendo o empresário como avalista. ''Os dois depoimentos adotam o mesmo enfoque'', disse Delcídio Amaral.
Há integrantes da CPI desconfiados de que Delúbio e Valério teriam combinado seus depoimentos em uma reunião ocorrida segunda-feira, em Belo Horizonte.
O procurador relatou a Delcídio que Valério teria proposto um acordo para amenizar uma possível punição ao empresário em troca de informações. ''Ele esperava um compromisso do procurador em troca de efetivamente contar o que ele sabia. Com a negativa do procurador, ele (Marcos Valério) assim mesmo se prontificou a fazer esse depoimento'', disse o presidente da CPI. Na segunda-feira, o procurador repassará a íntegra dos depoimentos à CPI.


