Valério diz desconhecer esquema de mensalão
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quarta-feira, 06 de julho de 2005
Chico de Gois e Fernanda Krakovics<br> Folhapress 
Brasília - Peça-chave na apuração das denúncias de pagamento de ''mensalão'' a deputados, o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza confirmou sua amizade com Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, admitiu que se reuniu com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu no Palácio do Planalto, mas disse desconhecer o suposto pagamento de mesada e repetiu várias vezes que os R$ 21 milhões sacados em dinheiro vivo de sua conta no Banco Rural foram utilizados para pagamento de fornecedores. Mas se recusou a dar mais detalhes, apesar da insistência dos parlamentares.
Valério atacou sua ex-secretária Fernanda Karina Somaggio, levantando suspeitas de que ela recebeu dinheiro para conceder entrevista à revista ''IstoÉ Dinheiro'', na qual apontou ligações entre o publicitário e Delúbio. Ele também criticou a imprensa por ter tido acesso, de forma ''ilícita'', a relatórios do Coaf que demonstram sua movimentação financeira.
O publicitário confirmou que conhece o assessor do deputado José Janene, João Claudio de Carvalho Genu, e afirmou que as declarações do deputado José Borba (PMDB-PR) de que ele participava da discussão da partilha de cargos no governo ''são mentirosas.''
Tranquilo e blindado por um habeas corpus que lhe permitia ficar em silêncio, se o desejasse, uma vez que o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que ele compareceria à CPI na condição de acusado, Valério respondeu a todos os questionamentos utilizando, muitas vezes, respostas curtas como ''não'', ''não tenho conhecimento''.
O empresário mineiro repetiu que esteve apenas duas vezes com o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) em 2005. Segundo o empresário, o deputado teria mentido ao dizer que, em julho de 2004, recebeu R$ 4 milhões referentes a um acordo político entre PT e PTB.
Valério evitou responder diretamente um questionamento de que uma empresa sua Estratégica Marketing poderia ter contratado um dos filhos do presidente Lula. ''Eu não posso dizer que sim ou não.''
Logo no início de seu depoimento, que começou às 9h35 e até as 21 horas não havia sido concluído, o publicitário adiantou que seria ''objetivo''. Ele emocionou-se em duas ocasiões, quando lembrou da morte de um filho, de seis anos, vítima de câncer.
Questionado pelo deputado Murilo Zauith (PFL-MS) se suas declarações poderiam ''abalar a República'', respondeu: ''Não me dou toda essa importância. Sou um cidadão normal. Meu depoimento não iria tirar o sono do presidente ou de alguns parlamentares.'' E afirmou: ''A República não vai cair por minha causa. O país vai continuar normal''.


