Valdir Raupp admite crise e diz que vai apagar incêndio
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quinta-feira, 06 de março de 2014
Das Agências 
Brasília - Presidente do PMDB, o senador Valdir Raupp (RO) disse ontem que tentará "negociar até o limite" para acabar com a crise entre PT e lideranças do PMDB, deflagrada durante o Carnaval.
Com críticas a lideranças petistas que acusaram peemedebistas de "chantagem" por cargos no primeiro escalão do governo, Raupp disse que os dois partidos precisam "discutir a relação". "Todo casamento chega um ponto em que precisa discutir a relação. O que falta é ter um pouco mais de diálogo. Chantagem é um termo muito forte. Só pode ter partido de um desavisado que chegou atropelando com essa comparação. Em política existem pressões, tensões e conflitos. Mas colocar mais lenha na fogueira nesse momento não vai diminuir as chamas. Temos é que colocar muita água para diminuir a fervura", afirmou.
O presidente do PMDB não descarta antecipar a convenção nacional do partido para abril, quando seria rediscutida a aliança nacional da sigla com o PT. Várias alas peemedebistas defendem que a convenção ocorra em abril, e não em junho, diante da troca de farpas entre as duas legendas.
Raupp lembrou que há outras instâncias da sigla que podem ser convocadas, como o conselho político, mas disse que cabe à convenção definir os rumos do PMDB. "Seria um convenção extraordinária porque ela não teria força de lei. As decisões só podem sair depois de junho. Neste momento, o maior problema são as alianças regionais", afirmou.
Lula e Dilma
A insatisfação do PMDB com o PT e o Palácio do Planalto foi um dos temas discutidos anteontem, em Brasília, entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo interlocutores de Lula, o ex-presidente avalia que Dilma não está sendo hábil na relação com o PMDB. Ela precisaria fazer acenos para evitar o risco de perder o tempo de TV dos peemedebistas no programa eleitoral.
A bancada do PMDB do Senado, que se mantinha fiel no apoio ao governo, se mostra irritada com a insistência de Dilma para que o líder do PMDB na Casa, Eunício Oliveira (CE), desista de disputar o governo do Ceará.
No Estado, Dilma prioriza a candidatura que será defendida pelo governador Cid Gomes (Pros), que abandonou o PSB de Eduardo Campos para ser um dos principais sustentáculos da campanha da petista no Nordeste.
Os peemedebistas também reclamam da demora na indicação do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) para o Ministério do Turismo e a escolha da pasta, que é da cota do PMDB da Câmara.
Parte da bancada do Senado considera que a posse de Vital no Turismo causará ainda mais atritos entre o PMDB da Câmara e o governo.
No início da semana, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), atacou publicamente o presidente do PT, Rui Falcão, tendo como mote a divergência entre as duas legendas na montagem dos palanques estaduais.
Segundo alguns peemedebistas, Cunha teve o aval do vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) e do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).
Além de buscar acertar com Dilma uma estratégia para acalmar o PMDB, o que, na visão de Lula, passa por atender deputados peemedebistas na reforma ministerial, Lula e a presidente definiriam também detalhes da estrutura e equipe de campanha.
Reunião
A reunião, realizada no Palácio da Alvorada, uma das residências oficiais de Dilma, começou às 17h30 e não constava da agenda presidencial. Às 19h37, o Instituto Lula postou no Twitter a informação do encontro, publicando foto da reunião em seu site.
Ontem, o PSDB informou que vai protocolar uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a aplicação de multa à presidente por ter se encontrado com o antecessor e outros integrantes do comando de sua campanha à reeleição no Palácio da Alvorada em horário de expediente. Responsável pela área jurídica do PSDB, o deputado Carlos Sampaio (SP) diz que a atitude de Dilma fere a legislação eleitoral.


