Valdebran admite que dinheiro pagaria dossiê
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quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Ranier Bragon e Adriano Ceolin<br> Folhapress 
Brasília - Mais de dois meses depois de ter sido preso em São Paulo com R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo, o empresário Valdebran Padilha confirmou ontem à CPI dos Sanguessugas que a negociação em torno do dossiê contra políticos do PSDB, que ele classificou como ''operação tabajara'', envolveu a promessa de pagamento em dinheiro, o que contradiz a versão sustentada até o agora por quase todos os emissários do PT envolvidos no episódio.
Caindo em contradições em alguns momentos com os depoimentos que havia prestado à Polícia Federal, Valdebran complicou especialmente a situação de três ex-petistas: Jorge Lorenzetti, ex-coordenador de inteligência da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, Hamilton Lacerda, ex-coordenador de comunicação da campanha de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo, e Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil.
Os três haviam dito à Polícia Federal que participaram da negociação com a família Vedoin - acusada de liderar o esquema dos sanguessugas-para adquirir os documentos contra os tucanos, mas negaram ter aceito pagar pelo material. ''É óbvio que essa informação, a de que não houve negociação, de que não houve dinheiro, é descabida'', declarou Valdebran, acrescentando que o acerto era de pagamento, pelos petistas, de R$ 2 milhões, pouco mais que o R$ 1,7 milhão apreendido pela PF.
''(A compra do dossiê) Foi uma 'operação tabajara', em que uma parte não tinha todo o dinheiro e a outra não tinha a informação prometida'', disse. Valdebran afirmou acreditar que o adiantamento era um pagamento pela entrevista que os Vedoin deram à revista ''IstoÉ'' envolvendo tucanos na fraude.
''Foi dada a entrevista à revista, está aqui o R$ 1 milhão. Entregaram a papelada, está aqui o outro milhão. Eu hoje acredito que tenha sido dessa forma'', afirmou. A revista ''IstoÉ'' nega ter pago pela entrevista.
Valdebran disse ainda à CPI que entrou no caso a pedido dos Vedoin, para ''acompanhar'' se os petistas realmente teriam o dinheiro para pagar por informações ''que envolveriam diversos políticos de diversos partidos''. Ele disse não ter sido remunerado para isso e que realizava a tarefa por amizade de mais de dez anos com os Vedoin.
À Polícia Federal ele afirmara que conhecia os Vedoin há seis anos e que não tinha relação comercial ou de amizade com eles. Questionado sobre a contradição, voltou atrás e disse que era apenas conhecido da família. ''Amizade é uma questão relativa, subjetiva'', justificou-se.
''Foi um depoimento eivado de contradições. Se ele fez isso por ser ''conhecido' dos Vedoin, imagina o que faria se fosse amigo'', avaliou o vice-presidente da CPI, deputado Raul Jungmann (PPS-PE).
Sobre Hamilton Lacerda - segundo a PF o homem que transportou o dinheiro para que Gedimar efetuasse o pagamento-, Valdebran disse ver ''muita semelhança'' entre a mala de dinheiro que viu com Gedimar e a mala flagrada com Lacerda pelas câmaras de TV do circuito interno do hotel onde a polícia realizou a prisão.
Sobre o dinheiro apreendido com ele, Valdebran afirmou ter recebido o R$ 1 milhão de Gedimar, no hotel, como garantia do negócio. O outro milhão seria entregue assim que Gedimar recebesse a documentação que supostamente envolveria com o esquema dos sanguessugas o hoje governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB-SP).


