Curitiba - O presidente da CCJ na Assembléia Legislativa, Durval Amaral (DEM), fez duras críticas ao projeto de lei do Executivo após o fim da audiência poública. ''O governo do Paraná quer demonstrar ao Brasil que pode efetuar tarifas menores, mas quem vai pagar a iniciativa? A sociedade paranaense? O projeto de lei é um cheque em branco para o Executivo abrir créditos adicionais no Orçamento e subsidiar o pedágio. Todos os artigos do projeto de lei têm algum tipo de ilegalidade'', afirmou ele.
Amaral acredita que o Executivo só conta com duas maneiras de viabilizar a proposta. ''Ou o Estado subsidiará com aporte do Orçamento, e daí vai sobrar para o contribuinte, ou eleverá as tarifas já pagas pelos usuários da Copel'', disse.
Robson Luiz Rossetin, da Copel, informou que a companhia tem em caixa R$ 1 bilhão disponível e que ela ficará apenas parcialmente responsável pelos investimentos. A Copel Empreendimentos Ltda. ficaria, majoritária, com 58%. E o capital privado ficaria com 42%. A Federação dos Transportadores do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul é que estaria em busca de parceiros para a Copel. ''Os parceiros privados têm que estar em harmonia com a política do Estado de tarifa mínima'', destacou ainda Paulo Furiatti, do BRDE.
Ao longo de 25 anos, a estimativa é um gasto de R$ 9,5 bilhões, com os três lotes, somando despesas com manutenção e operação das estradas e os investimentos previstos. A Copel só recuperaria o capital investido após 14 anos.
Levando em conta dados de volume e tráfego do ano de 2004, a estimativa de receita aproximada, em 25 anos, é de R$ 3 bilhões no lote 2, R$ 8,5 bilhões no lote 6 e R$ 6,5 bilhões no lote 7. Em relação à previsão de investimento em 25 anos, seriam R$ 2 bilhões gastos com o lote 6 (R$ 520 milhões da Copel e o restante do BNDES e das empresas sócias), R$ 749 milhões gastos com o lote 2 (R$ 179 milhões da Copel) e R$ 1,58 bilhão gasto com o lote 7 (R$ 381 milhões da Copel).
Furiatti garantiu que ''não há proposta a ser feita que gere prejuízo''. O mesmo argumento foi usado por Rossetin, que disse que a companhia vai realizar os estudos necessários antes de participar do leilão. ''Ninguém aqui está se aventurando. A idéia é tentar a redução do teto da tarifa sem diminuir a rentabilidade dos investimentos'', comentou ele.
Ontem, o líder do Governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), enfatizou que a proposta do governo federal em ''desestatizar as estradas'' não contraria o objetivo do Estado. ''O governador Requião só resolveu participar do leilão depois que o presidente Lula deu sinal verde'', disse ele. (C.S.)

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