Brasília - A estrutura de poder montada pelo PT sob comando do ex-ministro José Dirceu contou com o suporte financeiro das empresas estatais e dos cargos de indicação dos fundos de pensão para bonificar com uma ''remuneração extra'' os fiéis escudeiros do grupo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Levantamento realizado pela Agência Estado mostra que, nos últimos dois anos e meio, o Palácio do Planalto e seus aliados nos fundos de pensão usaram nomeações de caráter político para funções técnicas.
Entre os principais assessores de Dirceu na Casa Civil, por exemplo, pelo menos quatro ocuparam ou ocupam assentos nesses conselhos.
Ao todo, o governo pode dispor livremente de cerca de 500 cargos nas estatais, e os fundos de pensão, de outras centenas de assentos nos conselhos das empresas privatizadas das quais são acionistas. Só o fundo dos funcionários do Banco do Brasil, a Previ, possui 373 vagas em grandes empresas, que pagam gratificações de até R$ 20 mil mensais.
A vantagem desse tipo de cargo é que não exige muito trabalho. Em geral, os conselhos fiscais e de administração se reúnem apenas uma vez por mês, senão a cada trimestre. A remuneração mensal, independentemente da periodicidade das reuniões, varia de 10% a 20% do salário mensal dos diretores da empresa. Nas estatais, isso significa um bônus mensal de, no mínimo, R$ 2 mil, e no máximo R$ 10,8 mil.
A utilização dos conselhos das estatais para complementar o salário de altos funcionários do governo não é uma novidade. Os próprios ministros da Fazenda, Antônio Palocci, da Casa Civil, Dilma Roussef, da Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, e do Trabalho, Luiz Marinho, também ganham o ''extra'' por sua participação eventual nas reuniões de algumas empresas sobre as quais têm reconhecida responsabilidade.
Mas no governo Lula esse instrumento foi levado ao extremo. Até mesmo dirigentes do PT que nada tinham a ver com o governo foram agraciados com indicações generosas. O exemplo que mais chama a atenção, entretanto, é o de Raimundo Ferreira da Silva Júnior, vice-presidente do PT no Distrito Federal. ele foi indicado para ocupar vagas nos conselhos fiscais do BB Leasing, como titular, e do BB Investimento, como suplente.

mockup