Curitiba - O novo ocupante da vaga deixada no Tribunal de Contas (TC) do Estado pela morte do conselheiro Quiélse Crisóstomo da Silva já está mobilizando os deputados da bancada do governo na Assembléia Legislativa. Isso porque os deputados que apoiam o governador Roberto Requião (PMDB) querem eleger o vice-governador Orlando Pessuti para a vaga. E para isso é necessário o voto de pelo menos 28 parlamentares. Contudo, ao mesmo tempo que a bancado do PMDB precisa de apoio para a eleição do TC, o líder do governo na Casa, deputado Dobrandino da Silva (PMDB), fez ataques ao PT e prometeu mostrar documentos que comprometem a administração da Unisa Hidrelétrica Itaipu.
A eleição de Pessuti para o TC seria estratégica para o PMDB, já que Requião deve tentar a reeleição e assim a vaga de vice-governador para as próximas eleições ficaria livre para eventuais coligações. A vaga deixada por Crisóstomo da Silva pertence legalmente à Assembléia e qualquer um que queira pode se inscrever até o dia 23 e os deputados decidem por um nome. Até ontem havia cinco inscritos e o nome mais forte era do vice-governador. O presidente da Casa, deputado Hermas Brandão (PSBD), declarou ontem que seu voto é de Pessuti. ''Ele fez um bom trabalho aqui na Assembléia e independente das cores das bandeiras (os partidos dos dois são hoje opositores) eu apoio'', afirmou.
Entretanto Hermas pode ter mais motivos para apoiar Pessuti para o TC. Dobrandino afirmou ontem que não está descartada a hipótese do presidente da Casa ser o candidato a vice-governador nas eleições, cogitando uma eventual coligação com o PSDB. ''Eu vejo possibilidade de composição com o PSDB'', afirmou o líder do governo que chegou também a falar no nome do senador Osmar Dias (PDT) como vice. Osmar Dias é cotado como o principal opositor a Requião nas próximas eleições e, nesse quadro, o PSDB apoiaria o senador ao governo do Estado. Hermas foi mais contido: ''Enquando não se acertar nacionalmente não tem como dizer nada.''
O PMDB está sondando o PSDB porque, segundo Dobrandino, é certo que com o PT não deve haver aliança no primeiro turno. O líder do governo chamou membros do PT de quadrilha em uma reportagem em um jornal paranaense e causou revolta entre os deputados petistas. ''Se há quadrilha como cidadão ele tem que denunciar. Falando assim envolve todo setor público, ministros. Não dá para fazer generalizações'', reclamou o deputado Tadeu Veneri (PT). O deputado André Vargas (PT) bateu boca com Dobrandino sobre o caso. Irritado o líder do governo afirmou que possui documentos contra a administração petista de Jorge Samek na Itaipu e que vai divulgá-los.
''Tenho cópia de quatro contratos de publicidade da Itaipu no valor de R$ 32 milhões com a agência do Duda Mendonça'', afirmou Dobrandino. O líder do governo, que foi intimado por Vargas a mostrar os documentos, afirmou que só não os tornou público antes porque queria deixar a divulgação para mais perto das eleições. ''Era para mostrar a face deles. Mas agora que eles estão me provocando vou divulgar'', garantiu.

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