Vaga na ONU divide latino-americanos
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quinta-feira, 21 de agosto de 1997
Agência Folha Assunção 
Agência Estado
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PompaPolícia paraguai monta guarda no hotel onde está ocorrendo a reunião: Conselho de Segurança da ONU causa polêmicaApós dois dias de reunião em Assunção, os embaixadores dos 14 países que formam o Grupo do Rio não conseguiram chegar a um consenso sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). A partir de amanhã, os presidentes desses países deverão apoiar a reforma do conselho, mas sem dizer claramente de que forma a América Latina poderá ser representada.
Essa foi a fórmula encontrada pelos embaixadores para amortecer as divergências entre Brasil e Argentina, que disputam um eventual assento no conselho. Até mesmo os termos genéricos da proposta de declaração referendada ontem apenas pelos embaixadores têm recebido leituras diferentes.
Os diplomatas brasileiros vêem fortalecida a possibilidade de um único país, no caso o Brasil, vir a representar a região. Já os diplomatas argentinos insistem em que a tese do rodízio não está descartada, muito menos consolidada a candidatura do Brasil. Não existe ninguém mais ou menos virgem ou ligeiramente grávido. Ou está ou não está, disse o representante do Brasil no Grupo do Rio, Luiz de Castro Neves, durante a reunião reservada dos embaixadores. Ele insistiu em que o Grupo do Rio apresentasse um nome e uma fórmula de consenso para a reunião que terá com a União Européia no próximo dia 23 de setembro - isso facilitaria um maior apoio à posição latino-americana. Se não nos entendemos, não temos o que conversar com a União Européia, disse a embaixadora do México na reunião, Margarita Dieguez.
A reforma do Conselho de Segurança (integrado atualmente por EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) será discutida na próxima assembléia, convocada para o mês que vem. Existem três candidatos prévios à vaga que a América Latina deverá ter no conselho: Brasil, Argentina e México. O Brasil defende que a vaga seja permanente, e a Argentina defende um rodízio (que incluiria todos os países latino-americanos e os da região do Caribe). O México concorda com o Brasil, mas ressalta que é contra a existência do Conselho de Segurança. As outras quatro vagas deverão ser ocupadas por Alemanha, Japão, um representante da África e outro da Ásia.
O presidente Fernando Henrique Cardoso vai aproveitar a presença de 13 colegas em Assunção para fazer um corpo-a-corpo a favor do Brasil como candidato da América Latina a uma vaga no Conselho de Segurança da ONU. Ele chega no final da tarde de hoje à capital paraguaia e já tem uma reunião em separado com o presidente do México, Ernesto Zedillo Ponce. No sábado, ele se encontrará com seu colega argentino, Carlos Menem. O presidente da Argentina é o principal defensor do sistema rotativo para o representante latino-americano no Conselho de Segurança da ONU. FHC vai demonstrar que essa rotatividade significa a criação de um cidadão de segunda classe dentro do conselho, uma vez que os demais integrantes não estariam submetidos a esse sistema - inclusive Alemanha e Japão.
Para os diplomatas brasileiros que estão em Assunção, os países que defendem a rotatividade são aqueles que não têm chance de conseguir representar a América Latina no conselho.


