Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Barrado do baileInocêncio de Oliveira, em seu gabinete: pressionado pelos aliados, líder do PFL desiste de comandar aliadosA vaga de líder do governo na Câmara continua aberta. A decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso, anunciada no fim da tarde de ontem pelo porta-voz Sérgio Amaral, é resultado da resistência dos demais líderes aliados à intenção do líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE) _ escolhido inicialmente por Fernando Henrique para ocupar o cargo - em acumular a função com a liderança do partido.
Para um grupo influente de parlamentares, Oliveira acumularia poder demais se ficasse com os dois postos. A votação dos destaques da reforma da Previdência, marcada para a próxima semana, será conduzida pelo ‘‘conjunto de líderes’’ dos partidos da base aliada.
O presidente afirmou ontem que ‘‘não há urgência’’ em definir o sucessor do deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), morto na semana passada, na liderança do governo. ‘‘Os líderes estão articulados’’, disse, por intermédio do porta-voz. ‘‘A urgência é na votação da reforma da Previdência.’ De acordo com Amaral, o presidente ‘‘teme’’ que uma modificação neste momento possa dificultar a votação da reforma na próxima semana.
Fernando Henrique e Oliveira conversaram no Planalto por quase uma hora. De acordo com Amaral, neste encontro o presidente reiterou o convite para que Oliveira substituísse Luís Eduardo na liderança do governo. ‘‘O presidente acrescentou ainda que o deputado recebia o expressivo apoio de diferentes lideranças de partidos, inclusive do PSDB’’, comentou Amaral. O porta-voz declarou que partiu de Oliveira a iniciativa de não aceitar o cargo neste momento.
Na versão divulgada pelo Planalto e pelo próprio Oliveira, foi o líder do PFL quem ponderou a Fernando Henrique que não seria ‘‘prudente’’ uma modificação no esquema de liderança na reta final da votação da Previdência. Amaral informou que Fernando Henrique e Oliveira entenderam que a melhor forma para se organizar a liderança neste momento seria uma condução da votação feita pelo conjunto dos diferentes líderes aliados. O presidente fará uma nova avaliação sobre a indicação do líder do governo na Câmara depois da votação.
O nome de Oliveira começou a ser cotado e confirmado informalmente por assessores de Fernando Henrique, logo depois do enterro de Luís Eduardo. Na terça-feira, Oliveira precipitou-se em dizer à imprensa que era o novo líder do governo, mas que se manteria como líder do PFL. A informação irritou os demais partidos. O líder do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA), defendeu a condução da votação dos destaques da Previdência por um colegiado de líderes e vetou, indiretamente, a indicação de Oliveira.
Diante dos provocadores na base aliada do governo, Fernando Henrique não confirmou, no fim da tarde da terça-feira, a indicação de Oliveira. ‘‘O presidente só irá se pronunciar depois de conversar com o deputado Inocêncio’’, afirmou Amaral. O líder só foi chamado para a conversa na tarde de ontem e acabou não aceitando o cargo. ‘‘O presidente elogiou o espírito cívico do deputado de estar mais preocupado com a eficácia da votação da Previdência que em galgar novas posições’’ resumiu Amaral.

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