Vaccari aceita fazer acareação com Youssef
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quinta-feira, 09 de abril de 2015
Aguirre Talento e Márcio Falcão<br> Folhapress 
Brasília - Alvo de pedidos de setores do PT para que deixe o comando da tesouraria do partido por conta das acusações de envolvimento com o esquema de corrupção da Petrobras, João Vaccari Neto afirmou ontem, durante seu depoimento à CPI da Petrobras, que ainda tem apoio interno para continuar no cargo e negou as acusações de corrupção. O petista, no entanto, afirmou que a sua permanência na tesouraria do partido é um "debate que deve ser feito no diretório nacional". "Ao diretório nacional, até o dia de hoje, não foi apresentada nenhuma proposta para que eu deixe a Secretaria de Finanças", disse Vaccari. O ex-presidente Lula estaria entre os que defendem o afastamento imediato de Vaccari e tem dito a aliados que, se permanecer no cargo, o tesoureiro não consegue nem se defender nem ajudar o partido. O ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro é outro petista que já defendeu que se Vaccari não pedir seu afastamento do cargo, o comando nacional do partido deve fazê-lo preventivamente. O líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), criticou correligionários que pedem a saída do tesoureiro e disse que há um movimento que se transformou em " verdadeira obsessão" para tentar "criminalizar as finanças do partido".
Beneficiado por um habeas corpus obtido no Supremo Tribunal Federal (STF) que o desobriga a produzir provas contra si próprio, Vaccari disse que as delações premiadas que o acusam de envolvimento com o esquema não são verdadeiras.
Ele negou ter tratado de doações ao partido com o ex-diretor da Petrobras Renato Duque e com o ex-gerente Pedro Barusco. Segundo Barusco, a Diretoria de Serviços intermediava pagamento de propinas das empresas ao PT, que eram repassadas a Vaccari. O tesoureiro negou a existência dessa sistemática de corrupção, embora tenha admitido conhecer Duque e Barusco.
Vaccari admitiu encontros com representantes de empresas para pedir doações ao PT, mas afirmou que se tratavam de visitas institucionais feitas por sua condição de tesoureiro e que resultaram em doações legais, por transação bancária. "É usual que o secretário de finanças do Partido dos Trabalhadores faça visitas institucionais à empresa na busca de recursos", declarou, ao ser questionado sobre o caso específico da Galvão Engenharia.
Sobre acusação feita pelo doleiro Alberto Youssef, que repassou R$ 400 mil a uma cunhada de Vaccari, o tesoureiro não entrou em detalhes e afirmou manter com Marice uma relação "estritamente familiar". Vaccari disse conhecer Youssef, mas que não tinha relação próxima. Ele se colocou à disposição dos deputados para fazer uma acareação com o doleiro. Vaccari também desconversou quando questionado que desejava participar de uma acareação com Barusco. "Não tenho determinantes sobre essa questão. Não depende da minha vontade", afirmou.


