Curitiba - A polêmica sobre a redução do pedágio nas rodovias paranaenses dominou a cena política na semana passada. Em torno da intervenção do governo estadual, que não chegou a ser concretizada, várias entidades voltaram a defender tarifas mais baixas para o pedágio. Elas querem uma redução média de 50% no valor atual, índice superior aos 30% que o governo do Estado está negociando com pelo menos duas das seis concessionárias. As entidades alegam que os produtos transportados no Paraná são de baixo valor agregado e não sustentam o pagamento de tarifas elevadas.
''A discussão em torno do pedágio deveria ser estendida para um assunto mais amplo e mais preocupante que é a falta de infra-estrutura para o transporte de cargas no Paraná'', disse o presidente da Federação Estadual das Transportadoras de Cargas do Paraná (Fetranspar), Luiz Anselmo Trombini. Segundo ele, o impacto do pedágio nas rodovias é grande porque não existem outras modalidades para escoar a safra, que representa 70% da carga transportada no Estado.
Trombini disse que os empresários que lidam com o transporte de cargas estão preocupados com o atraso de investimentos em infra-estrutura do Estado, em relação aos vizinhos como Santa Catarina e São Paulo, que já desenvolveram outros modais para cargas de baixo valor agregado. Para cargas agrícolas, como predominam no Paraná, o ideal é o transporte em ferrovias e hidrovias, cujo custo é bem menor e não pressiona o agronegócio, que precisa de competitividade para manter as exportações.
Trombini é um defensor da negociação com as concessionárias de pedágio. Ele disse que o setor está preocupado com a forma como o governo do Estado vem conduzindo o processo para redução das tarifas. Segundo Trombini, o Estado precisa de estradas com boa manutenção em todas as regiões para atrair investimentos das empresas. ''Com ameaças de intervenção, muitos empresários temem investir no Paraná'', afirmou.
O empresário lembrou que o governo federal vai abrir licitação para pedagiar a BR-116 no trecho que liga Curitiba a São Paulo e Curitiba a Florianópolis, mas muitos empresários estão resistindo em investir nos trechos que atravessam o Paraná. ''Ninguém quer ver seus contratos rasgados'', disse.
Trombini insiste que as negociações devem ser perseguidas. De acordo com o empresário, as transportadoras já conseguiram alguns benefícios decorrentes da negociação com as concessionárias, como a não cobrança do eixo suspenso dos caminhões e da diferença do pedágio entre veículos pesados e carros de passeio. O custo do pedágio para cada eixo do caminhão corresponde a cerca de 10% a 20% do valor cobrado para um carro particular, comparou.

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