Curitiba - Quem pensa em campanha eleitoral via internet, pensa automaticamente na vitória do democrata Barack Obama nas eleições presidenciais americanas em 2008. Na esteira do sucesso de Obama, os políticos brasileiros estão aderindo em massa ao Twitter e outras ferramentas da web. Mas para o consultor de marketing político Marco Iten uma campanha virtual bem sucedida é muito mais que investir em tweets (mensagens publicadas no Twitter).
''O trabalho virtual só será válido para quem já tem uma ligação com o eleitor'', adianta.
Para Iten, quem recorrer a compra de bancos de dados para disparar propaganda virtual pode jogar dinheiro fora. ''Não vai gerar votos porque o eleitor vai receber muito spam e o email do candidato vai ser mais um entre vários'', defende. O consultor diz que a internet só funciona como estratégia de campanha se calcada em um ''planejamento de longo prazo''.
A meta é fazer com que a comunicação de massa via web tenha cara de correspondência pessoal. ''O que realmente vai sensibilizar o eleitor? O email que ele espera, de quem ela já tem uma ligação. Porque o email vem reforçar a imagem que aquele político tem para você'', explica Iten.
Para um coordenador de campanha ouvido pela FOLHA, o trabalho virtual deve completamentar o contato com o candidato no mundo real. ''Vai ser a continuação de um contato físico, do envolvimento do eleitor com o candidato em um evento'', adianta. A palavra-chave nesse processo é ''fidelização''. ''A internet servirá para continuar esse trabalho'', completa.
Twitter
Começar ou não a usar o Twitter? Para Marco Iten, essa é uma decisão que deve ser ponderada com calma pelo candidato. ''O eleitor brasileiro está muito escolado. A maioria não acredita que por trás dos tweets esteja realmente o candidato'', conta. Mesmo ao dialogar com a população, o candidato pode ser alvo de críticas. ''As pessoas dizem: em vez de estar trabalhando, ele está blogando'', diz.
O ideal é ''não entrar por modismo''. ''Entrar agora, com as eleições chegando pode até passar uma ideia de falsidade'', recomenda. No Paraná, os principais pré-candidatos ao governo do estado já estão no Twitter: o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), o senador Álvaro Dias (PSDB), o senador Osmar Dias (PDT) e o vice-governador Orlando Pessuti (PMDB).
Por outro lado, enquanto a internet desponta como novo recurso das campanhas eleitorais, outras estratégias já conhecidas dos candidatos devem desaparecer, prevê Iten. Um exemplo é o hábito de despejar toneladas de santinhos perto dos locais de votação na véspera do pleito e a propaganda de boca de urna. ''As pesquisas mostram que o índice de eleitores que chegam para votar sem ter um candidato caiu muito'', adianta.
Segundo o consultor, há 20 anos cerca de 25% dos eleitores chegava para votar sem um candidato ao parlamento em mente. ''Hoje esse índice é irrelevante. Numa campanha racional não vai mais haver espaço pra esse expediente (jogar os santinhos nas ruas) porque simplesmente não vale a pena'', defende. Iten aponta que o custo de promover esse tipo de ação e desequilibra a relação custo-benefício do trabalho. ''Numa cidade como Curitiba, são quase R$ 300 mil para operação dessas e sem que se consiga efetivamente mais votos por conta disso'', aponta. (R.C.F.)

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